A história repete-se, mesmo quando seria preferível aprender com os erros do passado. E agora volta a acontecer com os protagonistas do costume: a extrema esquerda alia-se à direita para derrubar um governo do PS..Se alguém tivesse acabado de sair de um estado de coma muito prolongado não ficaria propriamente surpreendido. Talvez o maior espanto seria constatar que a tal esquerda rompedora chumbou o Orçamento de Estado mais à esquerda da história (assim autodenominado pelos seus autores)..Virada a página da mesma história, compete agora ao Presidente da República proceder à dissolução do Parlamento e convocar eleições legislativas antecipadas. Em termos de prazos, é bom que o sufrágio aconteça o quanto antes, caso contrário graves prejuízos se podem abater sobre o povo que lá para a Ibéria Ocidental não se governa, nem se deixa governar..O fator tempo é muito relevante. Porquê? Vários foram os países pela Europa fora em que a ausência de um governo ao longo de meses, nalguns casos anos, não impediu uma eficaz gestão interna, tendo a ordem pública, económica e social permanecido inalterada. Mas por terras de Viriato é diferente..Será que o (e)leitor sabe verdadeiramente porque uns se dizem de direita ou de esquerda? E o que distingue cada uma dessas posições? E ainda há mais uma questão: será que as correntes políticas e filosóficas que deram origem ao alinhamento das diversas forças políticas em Portugal estarão alinhadas com a maioria da vontade dos portugueses?.À direita luta-se para chegar à nata dos destros. Entre os que ainda estão no caminho e os que já lá chegaram, ambos nunca atingirão o centro que permitiria um entendimento mais à esquerda, leia-se com os Socialistas. Por sua vez, à esquerda, a luta consiste em saber quem representa a verdadeira esquerda. Esta singularidade é mais complexa porque também o PS é um partido de esquerda, mas não deseja nenhum tipo de extremidade retrógrada ou cega..Na prática, apesar de estar perfeitamente esclarecido sobre a orientação do voto, há que fomentar e implementar mudanças. O país fez um enorme esforço para ultrapassar a pandemia. Essa experiência recente transporta os portugueses para um sentimento de dificuldade perante a hipótese de viver um novo cenário de pandemia, desta feita eleitoral. Um "resultadozito" não chegará..O país e os Portugueses merecem mais do que diminutivos. A cultura de poder impõe que se saiba estar, assumir e manter compromissos. Do outro lado, exige-se a todos os cidadãos que quando forem chamados a pronunciar-se não fiquem em casa e digam de forma clara e inequívoca o que pretendem..A estrada é bifurcada. Uma das opções vai em direção à estabilidade, às contas certas e à recuperação do país. A outra dirige-se para o aventureirismo, o regresso à austeridade e o retorno a um passado mais ou menos recente. A esta opção torne-se explícito o facto de não possuir bermas, ou seja, já assumiu a recusa prévia e preconceituosa em dialogar para melhorar a vida da população portuguesa..Recusando à partida todas as intolerâncias, e não apenas as que se revestem de maior utilidade, assuma-se que é um devir percorrer o itinerário do desenvolvimento. Às crises responde-se com solidariedade, não com austeridade. Felizmente, a escolha é fácil e reside em cada um de nós.