Adversários elogiam Presidente próximo dos portugueses

Henrique Neto diz que aceitação do Presidente da República tem de corresponder a "ideias e atos" para resolver problemas do país.
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Os candidatos derrotados por Marcelo Rebelo de Sousa na eleição para Belém reconhecem a importância da proximidade do Presidente da República aos cidadãos no seu primeiro ano de mandato.

Contudo, se Maria de Belém Roseira, Marisa Matias e Sampaio da Nóvoa fazem um balanço positivo da ação de Marcelo Rebelo de Sousa, Edgar Silva e Henrique Neto privilegiam as críticas - e o empresário socialista da Marinha Grande destoa no pessimismo com que analisa esse período.

"Receio que dentro de quatro anos os portugueses continuarão a gostar muito do Presidente da República, mas continuarão a ter os mesmos problemas que já tinham, mais os criados" desde a posse de Marcelo Rebelo de Sousa, afirma Henrique Neto ao DN.

Argumentando que o Chefe do Estado, dada a "estagnação económica e a pobreza" do país, "não pode continuar a gerir principalmente as pequenas questões, os fait divers, da República", Henrique Neto adianta: "O objetivo do Presidente da República não é ser popular. Tem que ter a aceitação dos portugueses, mas porque contribui com ideias e atos para a resolução dos problemas nacionais."

"Penso que o Presidente da República devia preocupar-se com as grandes questões nacionais", insiste o antigo deputado socialista.

As críticas também dominam a análise feita pelo candidato comunista Edgar Silva à forma como Marcelo tem lidado com as questões económicas e de pobreza dos portugueses. "Houve uma demissão do Presidente da República face aos problemas do agravamento das condições de vida, do empobrecimento, dos problemas da exploração e do crescimento das desigualdades sociais", sublinha o líder regional do PCP na Madeira.

Perspetiva oposta - marcadamente positiva - revelam Sampaio da Nóvoa, Marisa Matias e Maria de Belém Roseira. Para a antiga ministra da Saúde, o Presidente da República "tem feito um mandato tanto quanto possível inclusivo, tem feito um grande esforço para representar todos os portugueses e introduzir um clima de distensão política" assinalável, contribuindo para que haja um "bom ambiente, propício ao crescimento económico e na atenção dada às questões sociais". Marcelo "tem sido um Presidente próximo das pessoas, muito ativo e muito presente" no espaço público, mas "não me parece que tenha havido interferência" na esfera governativa, indica ainda Maria de Belém.

A bloquista Marisa Matias realça que o Presidente "tem sido um dos atores que têm permitido que em Portugal tenha sido possível recuperar alguma dignidade". Observando que Marcelo "é o mais presidencialista" dos chefes do Estado pós-25 de Abril, a eurodeputada regista existirem "domínios de intervenção muito mais vastos que na presidência anterior". O importante, porém, é que o professor de Direito Constitucional "ainda não interferiu com competências que não são suas".

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