Enquanto continua imerso numa crise política doméstica, Israel lançou ataques a território da Síria às primeiras horas de domingo, em resposta ao lançamento de foguetes oriundos daquele país, e abrindo um novo ponto de conflito. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu admitiu que o país enfrenta uma complicada situação de segurança no mesmo dia em que se encontraram dirigentes de duas organizações terroristas que têm o estado hebraico como inimigo número um..Após o lançamento de seis foguetes contra território israelita, o Exército de Telavive retaliou com drones e artilharia, tendo visado um complexo militar e postos de radar e artilharia. Em Damasco ouviram-se explosões e o Ministério da Defesa do regime de Assad informou que várias munições foram lançadas dos Montes Golã, ocupados por Israel, em direção ao sul da Síria..Segundo o Jerusalem Post, num telefonema realizado para os líderes das comunidades fronteiriças de Gaza, Netanyahu reconheceu que Israel passa por uma complexa situação de segurança em várias frentes, entre a Faixa de Gaza, Jerusalém Oriental e a Cisjordânia, o sul do Líbano, e a Síria. Enquanto prometia um reforço nos sistemas de segurança naquela região, Netanyahu assegurou sobre esta crise que a palavra final ainda não foi proferida..Ainda sobre palavras e discursos, no Conselho de Ministros de sexta-feira, o chefe do governo tinha apelado para os governantes mostrarem unidade e firmeza, tendo em conta as recentes críticas dos ministros dos partidos de extrema-direita da coligação..Violência não demove protestos contra Netanyahu.O apelo caiu em saco roto: Amichai Eliyahu, com a pasta do Património, lançou nova farpa: "Os altos funcionários do aparelho de Defesa estão a agir como numa rebelião." O líder do seu partido, Itamar Ben Gvir, é o ministro com a tutela das polícias. De pronto o líder da oposição, Yair Lapid, disse que "o incitamento contra o aparelho de segurança está fora de controlo" e que ou Eliyahu prova a acusação ou deverá ser demitido..Antes da nova espiral de violência iniciada na quarta-feira com a investida policial na mesquita Al-Aqsa, o governo recolhia 69% de opiniões desfavoráveis e Netanyahu 67%, segundo sondagem para o Canal 12..À mesma emissora de TV, um alto funcionário reconheceu que a atuação da polícia na mesquita de Al-Aqsa, em Jerusalém, foi errada ao espancar os fiéis, mas que não tinha outra opção porque havia recebido informações de que centenas de palestinianos tinham armazenado armas no lugar de culto para posteriormente usar contra israelitas..Enquanto a coligação governamental israelita demonstra desunião, os adversários externos juntam-se para definir a "cooperação". Os líderes do pró-iraniano Hezbollah, Hassan Nasrallah, e do palestiniano Hamas, Ismail Haniyeh, reuniram-se no Líbano e garantiram que "o eixo de resistência está pronto"..cesar.avo@dn.pt