'Private equities' lançam OPA sobre a PT dentro de semanas

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A Portugal Telecom (PT) deverá ser alvo de uma OPA concorrente dentro de algumas semanas por parte de um consórcio de private equity (do qual Pais do Amaral faz parte) no valor de 14 mil milhões de euros, noticiou ontem o jornal britânico The Times. Porém, fonte ligada ao processo disse ao DN que este valor é especulativo, na medida em que nada foi nem será decidido antes de a Autoridade da Concorrência se pronunciar sobre a oferta da Sonaecom.

Se esta OPA for chumbada, uma nova OPA nem sequer necessitaria de estar 5% acima do valor oferecido pela empresa de Paulo Azevedo.

De acordo com o The Times, um consórcio formado pelas empresas Cinven, Permira, Providence, Blackstone, Texas Pacific e KKR estão a preparar uma OPA à PT no valor de 14 mil milhões de euros, o que representa, segundo os analistas dos Millennium bcp e BPI, uma oferta de 12,40 euros por acção da operadora, ou seja, mais 30% do que a contrapartida da Sonaecom (9,50 euros).

O jornal britânico acrescentou que a Carlyle, do empresário Frank Carlucci (que tentou investir na petrolífera Galp), era outra das casas de private equity que tinha demonstrado interesse na PT, mas que decidiu permanecer "afastada" do "núcleo duro" que deverá lançar a OPA concorrente.

Na notícia, não são citadas fontes nem é mencionado o nome de Miguel Pais do Amaral, que tem sido associado a este consórcio pelo mercado, ligação que nunca foi desmentida.

Publicamente, o empresário afirmou estar em conversações com investidores internacionais para analisar a viabilidade de uma oferta concorrente à OPA lançada pela Sonaecom. Num comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), Pais do Amaral referiu que "foram iniciadas conversações com alguns investidores internacionais visando a formação de um consórcio cujo objectivo inicial será a análise e o estudo da viabilidade de uma oferta concorrente" sobre a PT.

No mesmo documento, publicado no site da CMVM no dia 13 de Março, é destacado que "não existe qualquer acordo formalizado quanto à formação do referido consórcio, nem tão pouco existe ainda qualquer decisão definitiva de qualquer parte tomada nesse sentido". Além disso, "embora nesta fase seja ainda prematuro e incerto enunciar datas, pensa-se que o consórcio, a ser formalizado, sê-lo-á em um mês a contar da presente data".

Por último, e para que não ficasse confirmado qualquer compromisso, o comunicado frisa que "a eventual constituição ou a efectiva formação do consórcio não é nem pode ser entendida como uma decisão para lançar uma oferta concorrente sobre o capital social da Portugal Telecom".

Contactada pelo DN, fonte oficial do empresário Pais do Amaral, escusou-se ontem a fazer qualquer comentário sobre este assunto. Também a PT adoptou a mesma postura. No mercado de capitais, a informação veiculada pelo The Times teve um forte impacto, com as acções da PT a valorizarem 3,55%, para os 9 euros e 62 cêntimos (ver caixa em cima).

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