No âmbito da actividade, que se insere no Ano Internacional da Astronomia e que coincide com a abertura do programa Astronomia no Verão da Agência Nacional Ciência Viva, é proposto aos municípios que desliguem parcialmente a iluminação pública por um período de uma hora. ."Ouvimos falar de diversos factores poluentes praticamente todos os dias, mas não são comuns as referências à poluição luminosa", assinalou Pedro Ré, presidente da Associação Portuguesa de Astrónomos Amadores e coordenador da actividade..De acordo com o responsável, este tipo de poluição - que passa muitas vezes despercebida a quem vive nos centros urbanos - "está relacionada com a má iluminação pública", ou seja, com a opção por candeeiros "que iluminam tudo excepto aquilo que interessa"..Há candeeiros e projectores que, por concepção inadequada ou instalação incorrecta, emitem luz de forma mal direccionada, isto é, para além do seu alvo ou zona de influência e sem qualquer efeito útil.."A iluminação pública é absolutamente essencial, mas é necessário que os candeeiros sejam eficazes, isto é, que não gastem muita energia e que alumiem de forma adequada", sublinhou Pedro Ré, dando como exemplo crítico "os globos, que iluminam para cima e para os lados, mas não para baixo"..Para o também biólogo e professor da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, a luz deve incidir nas vias públicas e nos locais onde transitam pessoas mas muitos dos candeeiros públicos "dificultam grandemente a visibilidade para quem circula na rua à noite, a pé ou guiando um carro"..Pedro Ré apontou ainda como sinal de poluição luminosa "o halo de luz à volta das grandes cidades", que resulta da difusão da luz pela poeira atmosférica..A "Noite das Estrelas" - também englobada no projecto internacional "Dark Skies Awareness" ("Sensibilização para os Céus Escuros", numa tradução possível) - visa igualmente alertar para a necessidade de "poupar energia" e "preservar o céu nocturno".."Existem várias tecnologias ao nosso alcance, nomeadamente candeeiros com 'leds' que consomem cinco vezes menos do que um candeeiro vulgar", exemplificou o coordenador, segundo o qual 12 cidades do continente e das ilhas já confirmaram a sua adesão, caso de Bragança, Porto, Moimenta da Beira, Mira, Coimbra ou Lisboa.."A ideia não é apagar a iluminação pública numa cidade inteira mas apenas em determinados pontos. Em Lisboa, estamos a pensar na zona da Torre de Belém ou em frente ao Mosteiro dos Jerónimos, por serem locais onde passa muita gente e de fácil identificação", revelou..No que respeita à beleza do céu nocturno, Pedro Ré lembrou que muitas pessoas "nunca observaram a Via Láctea" e relacionou a "Noite das Estrelas" com outra actividade, já em curso, intitulada "E agora eu sou Galileu", que pretende repetir as observações do astrónomo italiano..Entre os desafios da observação do céu está a contagens de estrelas, que é também uma forma de avaliar o grau de poluição luminosa de cada ponto do país. .O Ano Internacional da Astronomia, que decorre em 136 países sob o lema "Descobre o teu Universo", é dedicado a Galileu Galilei e aos 400 anos da sua utilização pioneira do telescópio para observações astronómicas..Em Portugal, a coordenação da efeméride está a cargo da Sociedade Portuguesa de Astronomia, com o apoio da Fundação para a Ciência e Tecnologia, da Agência Nacional Ciência Viva, do Museu da Ciência da Universidade de Coimbra e da Fundação Calouste Gulbenkian.