O novo presidente do PS/M, João Carlos Gouveia, acusou ontem o presidente do Governo Regional, Alberto João Jardim, de ser "um ditador travestido de democrata" e um "bicho-carpinteiro que vai moendo a Madeira por dentro". .João Carlos Gouveia tomou ontem posse do cargo de presidente do PS/M, no XIII Congresso Regional do partido, após ter ganho as eleições directas no passado dia 15 de Julho. . "Como um bicho-carpinteiro, vai moendo a Madeira por dentro, roubando-lhe a alma, destruindo a robustez e a vitalidade. Reclama a independência da Madeira em relação ao Continente mas pretende transformar os madeirenses em simples lacaios e homens de mão ao serviço de três ou quatro grupos económicos que controlam o partido fundado por Francisco Sá Carneiro, as instituições autonómicas, a administração pública e os sectores económicos mais importantes com excepção do turismo", disse. Por isso, defendeu que só o PS/M é a "alternativa política capaz de garantir a defesa do Estado de direito na região". .A representar o Governo na reunião magna esteve o ministro dos Assuntos Parlamentares, Augusto Santos Silva, que, à margem do congresso, falou sobre a polémica que se instalou em torno da não aplicação na Região Autónoma da Lei da Interrupção Voluntária da Gravidez. .O responsável governamental disse não haver razão que a democracia "tenha uma modulação própria e excêntrica em qualquer parte do território do país". As leis da República, sublinhou, aplicam-se a todo o território nacional".. "A democracia faz-se também e sobretudo da capacidade de dizer 'não', na capacidade de dizer 'não' ao autoritarismo, a qualquer espécie de tentativa de controlo político-partidário sobre a administração pública, sobre a sociedade civil, sobre a comunicação social livre ou sobre a vida de cada um de nós", frisou o ministro dos Assuntos Parlamentares, numa critica forte a João Jardim. . "Aquilo a que se assiste, hoje, na Madeira é a uma recusa inaceitável do cumprimento da lei que determina a despenalização da lei da interrupção voluntária da gravidez, de uma lei que foi votada na Assembleia da República por uma maioria de deputados superior a dois terços e que resulta do pronunciamento livre do povo português num referendo expressamente convocado para o efeito", acusou Augusto Santos Silva. |LUSA e JOANA SOUSA-DN FUNCHAL (imagem)