"Em Portugal, há poucos clássicos em termos de comédia e são raros os que têm uma estrutura tão actual como este", salientou hoje à Agência Lusa Pedro Domingos, um dos mentores da companhia Teatro da Terra, "nascida" há um ano no concelho alentejano de Ponte de Sor..A terceira produção do grupo teatral estreia esta noite, às 21:30, no Cine Teatro de Ponte de Sor, onde vai ficar em cena até ao dia 18..A comédia de enganos "A Maluquinha de Arroios" foi escrita por André Brun em 1916, numa altura em que "o movimento surrealista dava os primeiros passos e em plena guerra mundial", explicou o Teatro da Terra..Em três actos, é contada a história de "uma família de vigaristas que, através de uma série de esquemas de sedução, mentira e logro, consegue levar um nível de vida muito acima das suas possibilidades"..Para Pedro Domingos, a actualidade da peça mantém-se porque "os dramas do século passado são os mesmos de agora" e "a sociedade vive com o mesmo tipo de pressões colectivas".."A única diferença é que, agora, através da comunicação social, sobretudo da televisão, temos um conhecimento muito rápido e efectivo das notícias de guerra e de catástrofes", acrescentou..Num momento em que "muito do que existe no país e no mundo nos puxa para baixo", o Teatro da Terra optou por "inverter essa tendência" e trabalhar numa peça cómica.."É quase uma questão de sobrevivência trabalhar a parte de comicidade do teatro", sublinhou Pedro Domingos, que assina a direcção de produção e o desenho de luz da peça..Com encenação de Maria João Luís e 14 actores em palco, a produção tem ainda uma componente de crítica social, segundo o responsável: "Há pessoas que continuam a viver de créditos e de esquemas para enganar os outros, apenas para manterem um determinado estilo de vida"..Amélia Videira, André Nunes, Elsa Galvão, Inês Pereira, João Didelet, Luís Esparteiro, Maria João Luís, Miguel Sopas, Cremilda Gil, João Fernandes, Lígia Braz, Patrícia Sanganha, Rui Gorda e Teresa Sanganha são os actores que "dão corpo" às personagens desta produção..A música está a cargo da Orquestra Ligeira de Ponte de Sor, salientou também Pedro Domingos, afiançando que o envolvimento da comunidade é uma premissa do Teatro da Terra.."Quando nos instalámos aqui, já foi com a ideia de trabalhar com as pessoas do concelho que têm algo para mostrar e, ao mesmo tempo, possibilitar-lhes o contacto e a aprendizagem com profissionais desta área", reforçou..O primeiro ano de trabalho por terras alentejanas cumpre-se este mês e Pedro Domingos garantiu à Lusa que o balanço é muito positivo, graças ao apoio do município local, mas igualmente do público.."Tem superado as expectativas e prova que, no interior do país, desde que haja oferta, as pessoas gostam e vão ao teatro e é isso que nos 'empurra' para continuarmos", frisou.