António Borges será consultor para evitar fricções políticas

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A nova equipa de António Borges ainda não está fechada, mas será curta - quatro ou cinco economistas - e externa ao Governo. A nova estrutura assinará, nas próximas semanas, um contrato de consultoria com a Parpública, passando a emitir pareceres em três sectores-chave: setor empresarial do Estado, parcerias público-privadas e o processo de privatizações.

Dentro do Governo, esta colaboração é vista como um reforço em áreas que hoje estão na dependências das Finanças e Economia. "Isto vai habilitar o Governo a dar um ritmo e uma intensidade maiores à execução destas medidas", como garantiu Pedro Passos Coelho ao jornal Sol.

Na mesma entrevista, o primeiro-ministro afirmou que um dos objetivos era ter uma "melhor coordenação de toda a implementação da agenda de transformação estrutural que queremos concretizar". Borges, sabe o Dinheiro Vivo, dará pareceres enquanto consultor, evitando as esferas dos dois ministérios com tutela nestas áreas: Finanças e Economia.

No domingo, Marcelo Rebelo de Sousa alertou para os riscos de cruzar o ex-director do FMI com dois ministros-chave, Vítor Gaspar e Àlvaro Santos Pereira. Na TVI , Marcelo aconselhou Borges a manter o "low-profile" já que haverá naturalmente "áreas de sobreposição". Marcelo ainda disse mais: "ele deve evitar ser visto como um ministro- sombra", mantendo-se apenas com o estaturo de"superconsultor".

Mesmo de fora, António Borges terá amplos poderes, cabendo-lhe fazer a ponte entre o Governo e a troika em matéria de privatizações, em estreita ligação com o gabinete de Pedro Passos Coelho. O ex-director do Fundo Monetário Internacional não terá direito a um salário individual, mas será pago no âmbito desta consultoria. Por definir está também o prazo deste contrato, já que a reestruturação empresarial do Estado e a renegociação das PPP prometem arrastar-se pelo menos até 2013. Um ano depois, em 2014, Portugal pagará a factura mais alta em encargos com PPP:1,2 mil milhões só num ano.

Nas últimas semanas, António Borges tem-se mantido em silêncio, já que as regras do FMI impedem os ex-dirigente de prestarem declarações públicas. Borges foi diretor do FMI para a Europa entre novembro de 2010 e novembro de 2011 e demitiu-se do cargo alegando razões pessoais.

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