Os dois maiores partidos têm a responsabilidade de se entenderem sobre o futuro do país e, se não o fizerem, são "criminosos", acusa António Barreto. Em entrevista ao Jornal de Negócios e à Renascença, o sociólogo e presidente da Fundação Francisco Manuel dos Santos considera que, três anos depois da chegada da troika a Portugal, o país está melhor em certos aspetos, igual noutros e pior noutros, mas, "se o método não for mudado nos próximos anos, os portugueses não aguentam"..António Barreto afirma que Portugal precisa de "20 ou 30 anos" para "recuperar crédito, investimento interno e externo, a construção de uma estrutura produtiva na indústria, na agricultura, no mar, que seja mais equilibrada" e "níveis de emprego superiores aos atuais"..Leia também: Comissão: Portugal passa a nono país mais pobre da União.Para que estes objetivos possam ser alcançados, PSD e PS deviam entender-se. "Os dois grandes partidos têm hoje uma responsabilidade que, se não a assumirem, são verdadeiros criminosos. São "hooligans". Se o PS e o PSD hoje não se prepararem para encontrar soluções duráveis e sustentáveis para os próximos cinco ou dez anos são verdadeiros "hooligans" da política, que só estão interessados em ganhar as eleições europeias ou do ano que vem", afirma Barreto, acrescentando que nem PS nem PSD deram sinais de serem capazes de estar à altura das suas responsabilidades..Para o sociólogo, o PS tem uma responsabilidade acrescida. "Deveria ter sido o PS, não era a aceitar a proposta [de consenso], mas a fazer as propostas. Era ao PS que competia dizer ao Governo "nós estamos prontos. Para rever a Constituição se for preciso, para fazer um programa conjunto do QREN, para começar a fazer uma experiência com os orçamentos e para preparar a reforma do Estado".