O ministro da presidência afirmou esta quinta-feira que "o único cenário" que está a ser considerado pelo Governo é a viabilização do Orçamento do Estado para 2025 pelo PS, e voltou a afastar uma solução de duodécimos..Na conferência de imprensa do Conselho de Ministros, António Leitão Amaro foi questionado se nesta reunião do Governo, a última antes de o PS anunciar na segunda-feira o sentido de voto sobre o documento, foi definida alguma estratégia caso os socialistas anunciem o voto contra.."Porque acolhemos medidas aprovadas pelo PS e pelo Chega, porque acolhemos preocupações do PS para 2025, todas elas, entendemos que estão reunidas todas as condições para a viabilização através da abstenção, esse é o único cenário que nós encaramos, eu creio que é o cenário que todos os portugueses esperam e pretendem, que é ter um Orçamento aprovado, não haver eleições", disse..Questionado se o Governo admite, em caso de rejeição do documento, ficar em funções em regime de duodécimos do Orçamento de 2024 remeteu para o que já foi dito pelo primeiro-ministro "quando disse não é solução".."Nós só estamos focados numa coisa que é a mesma coisa que os portugueses querem: o país precisa de um Orçamento de Estado aprovado", salientou..Leitão Amaro fez questão de, no entanto, desresponsabilizar o PS da execução do próximo Orçamento, mesmo que o venha a viabilizar através da abstenção.."Essa viabilização não significa tornar o orçamento do PS, nós temos a certeza que não seria o orçamento que um Governo do PS faria, tem tais diferenças que não seria esse o Orçamento. Não responsabiliza na sua execução o Partido Socialista", defendeu,.O ministro voltou a defender que o Governo fez "uma aproximação tão grande" às preocupações do PS que dão a este partido "o conforto para viabilizar o Orçamento"..A Comissão Política Nacional do PS vai decidir na segunda-feira o sentido de voto do partido no Orçamento do Estado para 2025 (OE2025)..Os 80 deputados dos partidos que apoiam o Governo, PSD e CDS-PP, são insuficientes para garantir a aprovação do documento, que, na prática, só será viabilizado ou com a abstenção do PS ou com o voto a favor do Chega -- partido que já anunciou formalmente o voto contra. .Leitão Amaro confirma duas reuniões com líder do Chega e diz que "tudo o resto é ficção".O ministro da Presidência confirmou hoje "duas reuniões" entre primeiro-ministro e líder do Chega sobre o Orçamento do Estado e considerou que "tudo o resto é ficção", recusando comentar partidos que "mudam de opinião a cada pôr-do-sol"..No final do Conselho de Ministros, António Leitão Amaro foi questionado para que serviram as duas reuniões que o primeiro-ministro, Luís Montenegro, terá tido com o presidente do Chega, André Ventura.."De facto, duas reuniões, é isso mesmo, já foi dito pelo ministro dos Assuntos Parlamentares. Tudo o resto é ficção, para não usar outro termo aqui deste púlpito", afirmou, sem nunca referir o nome do partido Chega..De acordo com o ministro da Presidência, "todas as reuniões com todos os líderes e com as delegações no que tem a ver com o Orçamento de Estado foi para perceber os contributos e as medidas que teriam, ponto".."Uns responderam de uma maneira, outros responderam de outra, houve uns que reforçaram com contributos escritos e é tudo", disse..Leitão Amaro fez questão de salientar que o que foi transmitido em público, quer pelo líder da Iniciativa Liberal, Rui Rocha, quer pelo secretário-geral do PS, Pedro Nuno Santos, sobre as várias reuniões são "consistentes com a informação do que aconteceu".."Há outras ficções que são tão descabidas e tão desesperadas e tão inúteis que nem merecem comentários", disse, afirmando que há partidos que "ninguém sabe muito bem o que pensam porque mudam de opinião a cada pôr-do-sol".