Sempre que Sporting e Manchester City se defrontam, é inevitável recordar o golo de calcanhar de Xandão, que valeu a vitória aos leões frente aos ingleses, em março de 2012, em Alvalade, nos oitavos de final da Liga Europa. Ao DN, o ex-central brasileiro recorda esse e outros momentos em Portugal e acredita que os leões estão em condições de voltar a ganhar ao City amanhã, agora na Liga dos Campeões. “Está a ligar.-me por causa do Sporting-City, certo? (risos). Dia 5 de novembro! Há muito que tenho apontado na agenda a data desse grande jogo”, começou por dizer o brasileiro, hoje com 36 anos, assim que atendeu o telefone, feliz com a campanha dos leões esta época: “Estão há 15 jogos seguidos sem perder, depois de terem sido derrotados pelo FC Porto na Supertaça. Têm estado numa sequência muito boa no campeonato e na Liga dos Campeões, a jogar um futebol de alto nível”, destacou..E por isso acredita que os leões podem voltar a bater o Manchester City, “pois têm qualidade para jogar de igual para igual contra qualquer equipa do mundo, principalmente em Alvalade, apesar do City possuir uma qualidade gigantesca”. Xandão só espera que não se repita a história do último jogo em Alvalade entre as duas equipas, em fevereiro de 2022, em que os ingleses ganharam por 5-0, numa ocasião em que veio a Portugal para assistir ao desafio: “Desta vez não vou conseguir ir, mas vou ver pela televisão.”.O antigo defesa, que atualmente ajuda jogadores no Brasil a planear a vida pós-futebol, teme que os jogadores do Sporting possam ficar afetados com o anúncio da saída de Rúben Amorim para o Manchester United. “Acredito que sim, pois foi um grande líder nestes anos todos, com o Sporting a colher os frutos do seu bom trabalho. Quanto ao João Pereira [seu antigo colega no Sporting e sucessor de Amorim], sempre teve espírito de liderança, era um treinador dentro de campo, com um perfil de líder e uma referência no plantel. A longo prazo tem tudo para ser um grande treinador”, referiu..Destacando o facto de Ricardo Esgaio ser o único elemento do seu tempo no plantel atual, é da opinião que “esta equipa joga quase de olhos fechados, o que é natural, porque é um grupo que se mantém junto há alguns anos, sempre complementado com a chegada de bons reforços”. Acrescenta que o Sporting “tem jogado um futebol de grande qualidade e, claro, com aquele avançado com nome estranho, difícil de pronunciar e que está sempre a marcar golos”. “Isso, Gyökeres!”, atira, quando lhe pronunciamos o nome do ponta de lança sueco..Por falar em pontas de lança, o Manchester City conta com Erling Haaland. “Eu marquei grandes avançados na minha vida, mas nem imagino o que será ter pela frente um ‘bicho’ desses, com todo aquele potencial e brutalidade. A melhor receita é ser muito duro e agressivo com ele e tentar encontrar algum ponto fraco, mas será muito complicado marcá-lo”, atirou. E questionado se Gyökeres se aproxima do nível de Haaland, foi sincero: “O nosso [do Sporting] ponta de lança é fenomenal, mas penso que no futebol mundial não há um atacante do nível do Haaland”..Agradecido a Sá Pinto.Xandão confessa ter muitas saudades dos adeptos do Sporting, recordando que “era muito bom jogar em Alvalade”. “Hoje o ambiente deve ser melhor ainda, pois certamente que os adeptos sentem mais confiança e empurram a equipa com o seu apoio”. .Quando o Sporting eliminou o Manchester City em 2012, o treinador era Ricardo Sá Pinto, do qual só tem boas coisas a dizer. “Ótimas recordações dele! Quando eu cheguei ao Sporting, o treinador era o Domingos Paciência, mas as coisas não estavam a correr muito bem. Entretanto, veio o Sá Pinto, que trouxe muita confiança ao grupo”, recordou.. “Eu não jogava, mas aquele central americano [Onyewu] lesionou-se e eu saltei para a titularidade. Entretanto, no jogo antes do Manchester City, com o V. Setúbal, perdemos por 1-0 e o golo foi culpa minha. Ainda no estádio chorei a ligar à minha esposa e fiquei com medo de perder o lugar”, contou, elogiando o comportamento do treinador: “Quando chegámos à Academia, nessa noite, o Sá Pinto juntou o grupo e disse que havia apenas um titular garantido com o City, que era eu. Depois, preparei-me muito bem para o jogo, pois queria honrar o meu treinador e acabei por fazer a melhor exibição da minha carreira. Estarei para sempre grato a Sá Pinto”..E ainda se recorda ao pormenor do golo? “Como se fosse hoje. Foi uma falta cobrada pelo Matías [Fernández], eu percebi que aquele central com uma cicatriz na testa [Joleon Lescott] não me estava a marcar em cima. Fui avançando, mas sempre com a preocupação de não ficar fora de jogo. A bola veio ter comigo, chutei, o Joe Hart defendeu, a bola sobrou de novo para mim e a única opção era de calcanhar. E marquei. Foi o jogo da minha vida”, sublinhou..Na segunda mão, entretanto, o Sporting sofreu, mas acabou por qualificar-se. “Chegámos a uma vantagem de 2-0 na primeira parte, nem estava a acreditar! Achava que já estava decidido e a equipa relaxou um pouco na segunda parte, eles marcaram três golos e valeu aquele milagre do Rui Patrício na última jogada, a defender o remate do guarda-redes do City”, concluiu..dnot@dn.pt