O líder do movimento xiita libanês Hezbollah, Hassan Nasrallah, afirmou esta sexta-feira ser "inevitável" uma resposta ao ataque israelita que, na terça-feira, matou o 'número dois' do Hamas nos subúrbios de Beirute.."A resposta é inevitável", assinalou Hassan Nasrallah, num discurso televisivo, qualificando como "grave" o ataque atribuído a Israel e assegurando ainda que "não ficará sem resposta" pelo movimento pró-iraquiano "no campo de batalha"..Saleh al-Arouri e seis outros responsáveis do Hamas foram mortos na noite de terça-feira, num ataque atribuído a Israel contra um escritório do movimento islamita palestiniano, um aliado do Hezbollah..Um dia depois do ataque, Hassan Nasrallah tinha garantido que a morte do 'número dois' do Hamas "não ficaria impune", mas sem avançar detalhes..Telavive não assumiu a autoria deste ataque, referindo no entanto que as forças israelitas estão num "momento de preparação muito forte", de acordo com um comunicado do Exército divulgado durante a visita, na quarta-feira, do chefe do Estado-Maior do Exército israelita, Herzi Halevi, à fronteira com o Líbano..Uma fonte da Defesa dos Estados Unidos disse sob anonimato à agência France-Presse (AFP) que al-Arouri e os seus companheiros foram mortos por "um ataque israelita", mas o porta-voz do Departamento de Estado norte-americano, Matthew Miller, afirmou entretanto que Washington não tem informações suficientes para apontar responsabilidades..No dia do ataque, o primeiro-ministro libanês, Najib Mikati, defendeu que "este novo crime israelita visa arrastar o Líbano para uma nova fase de confrontos" e ordenou a apresentação de uma queixa urgente ao Conselho de Segurança da ONU, "no contexto do flagrante ataque à soberania libanesa"..Os confrontos entre o Exército israelita e o Hezbollah, os maiores desde 2006, estavam até agora limitados às zonas fronteiriças no sul do Líbano, num momento em que se têm multiplicado os avisos no mundo árabe e na comunidade internacional sobre o receio da propagação do conflito na Faixa de Gaza entre Israel e o Hamas a outras regiões do Médio Oriente..Desde o início da violência transfronteiriça, foram registadas pelo menos 177 mortes: 13 em Israel (nove soldados e quatro civis) e 164 no Líbano, incluindo 127 membros do Hezbollah, 16 membros de milícias palestinianas, um soldado e 20 civis, entre os quais três crianças e três jornalistas..As autoridades de Telavive enviaram mais de 200 mil soldados para a região fronteiriça, onde a violência também deslocou milhares de residentes, com cerca de 80 mil pessoas retiradas de comunidades no norte de Israel e mais de 70 mil em fuga do sul do Líbano..Saleh al-Arouri, que era vice-chefe político do Hamas, estava na mira de Telavive há anos e o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, ameaçou matá-lo antes mesmo de o Hamas realizar seu ataque surpresa em 07 de outubro de 2023 no sul de Israel, que desencadeou a guerra em curso na Faixa de Gaza..Em 2015, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos designou-o como "terrorista global especialmente designado", oferecendo cinco milhões de dólares (cerca de 4,5 milhões de euros) por informações sobre ele..No Líbano desde 2018, al-Arouri chefiou a presença do grupo palestiniano na Cisjordânia e esteve detido em prisões israelitas durante 12 anos antes de ser libertado em 2010, sendo-lhe atribuído vários ataques contra Israel a partir de solo libanês..Mais recentemente, foi um dos principais negociadores do Hamas na libertação dos reféns feitos pelo seu grupo no ataque a Israel de 07 de outubro..A guerra em curso, que completa no domingo 14 semanas, começou quando o Hamas atacou Israel, provocando, segundo as autoridades israelitas, cerca de 1.200 mortos, além de ter sequestrado 240 pessoas, das quais mais de 120 ainda se encontram em cativeiro..A retaliação israelita na Faixa de Gaza fez mais de 22.400 mortos e cerca de dois milhões de deslocados, bem como desencadeou uma crise humanitária grave devido ao colapso de hospitais, falta de medicamentos, alimentos, água e eletricidade, de acordo com as autoridades do enclave palestiniano controladas pelo Hamas.