Não são muito abonatórias as razões de princípio e de qualificação que levam às escolhas para altos cargos na União Europeia. .A 16 de Março de 2003, Durão Barroso estendia o tapete vermelho na Base da Lajes ao presidente norte-americano, George W Bush, ao primeiro- ministro inglês, Tony Blair, e ao presidente do Governo espanhol, José Maria Aznar, para uma cimeira sobre o Iraque. Alguns dias depois começava a trágica e disruptiva invasão daquele país por tropas norte- americanas que lançariam o caos na região e no Mundo. Como recompensa política, Durão Barroso era convidado para presidir à Comissão Europeia, a 27 de Junho de 2005. .Ao assumir estas funções, Durão Barroso deixava para trás um país “de tanga”, um PSD sem uma liderança forte e rumava a Bruxelas na procura das mordomias europeias. .Agora, temos um segundo caso de um português indicado para a Presidência do Conselho Europeu, fortemente, apoiado pelo governo de Montenegro. .Montenegro disse de António Costa o que “Maomé não disse do toucinho”. Que era um dos piores primeiros-ministros que Portugal tinha conhecido. Pois é! É verdade que nos últimos anos do governo de António Costa havia uma demissão por mês, alegadamente, por corrupção e tráfico de influências. E é, igualmente, verdade que Costa exerceu o poder com o objectivo encapotado da conquista futura de um cargo europeu para si próprio. Desde muito cedo passou para a sua tutela directa a Secretaria de Estado dos Assuntos Europeus que, tradicionalmente, estava no Ministério dos Negócios Estrangeiros. O país foi, socialmente, arrasado com o cumprimento dos objectivos de Bruxelas das contas certas, numa prioridade de obedecer, cegamente, às directivas da União Europeia. A lógica do bom aluno! .Mas, para Bruxelas pouco importa o que os seus candidatos a top jobs fizeram nos respectivos países de origem. A negociata faz-se entre famílias políticas e cada uma delas “encaixa as suas pedras”, independente da qualificação e do respeito pelos princípios dos partidos onde são filiados. .Para a Europa vai um presidente do Conselho Europeu que foi, em Portugal, o pai de uma solução política - a geringonça - que está nos antípodas dos princípios europeus. Costa nunca foi, totalmente, claro na questão de um apoio inequívoco á Ucrânia e manifestou reservas temporais sobre a entrada do país na União Europeia. Não hesitou em fazer uma paragem técnica para se sentar ao lado de Viktor Orbán na Final da Liga Europa, na procura de apoios daquele que é um dos menos recomendáveis políticos europeus, com censura aos órgão de comunicação social e o domínio do sistema de Justiça na Hungria, sem contar com apoio a Putin. .Mas, aparentemente, nada disso importa à Europa e aos que a dirigem. .Talvez isso possa ser uma das componentes de explicação para o estado em que a Europa se encontra, com uma quase total ausência de Estadistas e de projectos que lhe deem um novo fôlego. .Mas, também, as funções do Conselho Europeu são de somenos. Aquele órgão toma decisões por consenso, mas só os Chefes de Estado têm direito de voto. Quem tem o poder é o Conselho da União Europeia onde se sentam os ministros sectoriais de cada um dos Estados Membros. É aí que tudo se decide. .Portanto, para o Presidente do Conselho Europeu resta a função de estabelecer alguns consensos políticos e juntar os deputados, a tempo e horas, com um toque de campainha.