Premium Viagens turísticas a Marte. Realidade ou apenas marketing pouco realista?

Há muito que sabemos que, de Marte, não chegarão extraterrestres verdes e temíveis, mas o desafio permanece. No próximo verão quatro missões voltarão a percorrer os mais de 50 milhões de quilómetros que separam a Terra do planeta mais próximo no sistema solar. Ainda sem tripulantes, mas na esperança de que, num dia não muito distante, tal possa acontecer.

O ser humano até pode estar na maior fissura: cada um por si, todo o mundo na lona, como cantava Elis Regina nos anos 1970. Mas há muito que sabemos que o marciano que ela "chamava" não passa de uma criatura da nossa imaginação. Nesse caso, o que justifica que o interesse da comunidade científica internacional por Marte não pare de aumentar, como demonstra o agendamento de quatro missões diferentes só para este ano de 2020? O que leva os governos de vários países a investir muitos milhões nestas viagens exploratórias a um planeta sem vestígios de água líquida, com uma atmosfera e um nível de radiação insuportáveis a qualquer habitante da Terra?

Zita Martins, professora no departamento de Engenharia Química do Instituto Superior Técnico de Lisboa, com uma carreira internacional que passou, entre outras instituições, pela NASA, assegura que as vantagens são muitas, embora recuse terminantemente a ideia de que Marte se pode converter num planeta B. "Mesmo o tão propalado turismo espacial, de que os americanos gostam de falar, de vez em quando, não passa de uma operação de marketing pouco realista", esclarece. Neste momento, até o projeto de enviar missões tripuladas parece remoto. "Há toda uma série de problemas que se colocam a partir da ausência de água no estado líquido", afirma. "A atmosfera carece de oxigénio (menos de um por cento) e, nessas condições, a própria ideia de produção de alimentos parece comprometida. Como fazer? Levamos água da Terra ou tentamos extraí-la in loco? Estas são apenas algumas das questões em aberto."

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