Premium Quando o poder dá espetáculo

Ao longo da nossa história, foram vários os governos que fizeram rir os portugueses, ora pela sua escassa duração ora pelos comportamentos caricatos dos seus titulares. Mas esse é um riso com sabor a angústia.

"Já fui sequestrado duas vezes... não gosto. É uma coisa que me chateia." A frase, proferida em declarações aos jornalistas à saída do Palácio de Belém, é de Pinheiro de Azevedo, primeiro-ministro entre 19 de setembro de 1975 e 23 de junho de 1976, a quem alguns chamavam o Almirante sem Medo e outros, menos encomiásticos, o Almirante Bardamerda.

Nos agitados meses do PREC - processo revolucionário em curso (Pinheiro de Azevedo sucedeu, no cargo, a Vasco Gonçalves), as boutades provocatórias do oficial da Marinha, levado para a ribalta política pelo 25 de Abril, fizeram escola. Mais do que a atuação do VI governo provisório que presidiu, para a história ficaria a sua resposta aos que lhe chamavam fascista ("bardamerda mais o fascista") ou a sua exortação à calma durante uma manifestação de apoio ao governo que poderia ter acabado mal ("é só fumaça... o povo é sereno").

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