Premium O último viking foi o primeiro homem a cruzar ambos os polos

O fascínio dos noruegueses pelo mundo do gelo levou-os a ter na viragem do século XIX para o XX uma série de brilhantes exploradores do Ártico e da Antártida, com o mais mítico de todos a ser Roald Amundsen. A comparação com a bravura dos antigos vikings, muitos deles oriundos da moderna Noruega, foi inevitável e o descobridor
do Polo Sul ganhou mesmo o epíteto de O Último Viking.

"Como me tornei um explorador? Isso simplesmente não aconteceu por acaso, pois toda a minha carreira tem sido um progresso constante em direção a um objetivo definido desde que eu tinha 15 anos. Tudo o que realizei na exploração tem sido o resultado do planeamento de toda uma vida, de uma preparação meticulosa e do tipo mais difícil de trabalho consciencioso", escreveu Roald Amundsen na autobiografia A Minha Vida como Um Explorador, publicada na versão em inglês alguns meses antes da sua morte, no Ártico, em junho de 1928, com 55 anos, numa ação de resgate a um outro explorador da vastidão gelada.

"A tragédia do Polo Norte. Ainda não há notícias de Amundsen e dos seus companheiros", podia ler-se na primeira página do Diário de Notícias de 27 de junho de 1928. Jornais do mundo inteiro tentavam saber o destino do conquistador do Polo Sul, referindo-se sempre à façanha de 1911. Mas o Polo Norte merece também estar no currículo do norueguês desaparecido: mesmo que um dia a reivindicação do americano Robert Peary datada de 1909 venha a ser 100% comprovada, Amundsen sobrevoou em 1925 num dirigível o extremo setentrional do planeta, o que fez dele o primeiro homem a cruzar os dois polos. Extraordinário.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Catarina Carvalho

Clima: mais um governo para pôr a cabeça na areia

Poderá o mundo comportar Trump nos EUA, Bolsonaro no Brasil, Erdogan na Turquia e Boris no Reino Unido? Sendo esta a semana do facto consumado do Brexit e coincidindo com a conferência do clima da ONU, vale a pena perguntarmos isto mesmo. E nem só por razões socioideológicas e políticas. Ou sobretudo não por estas razões. Por razões simples de simples sobrevivência do nosso planeta a que chamamos terra - porque é isso que é fundamentalmente: a nossa terra. Todos estes líderes são mais ou menos populistas, todos basearam as suas campanhas e posteriores eleições numa visão do mundo completamente conservadora - e, até, retrógrada - do ponto de vista ambiental. E embora isso seja facilmente explicável pelas razões que os levaram à popularidade, é uma das facetas mais perigosas da sua chegada ao poder. Vem tudo no mesmo sentido: a proteção de quem se sente frágil, num mundo irreconhecível, em acelerada e complexa mudança, tempos de um paradigma digital que liberta tarefas braçais, em que as mulheres têm os mesmos direitos que os homens, em que os jovens podem saber mais do que os mais velhos... e em que nem na meteorologia podemos confiar.

Premium

Pedro Lains

Boris Johnson e a pergunta do momento

Afinal, ao contrário do que esperava, a estratégia do Brexit compensou, isto é, os resultados das eleições desta semana deram uma confortável maioria parlamentar ao homem que prometeu a saída do Reino Unido da União Europeia. A dimensão da vitória põe de lado explicações baseadas na manipulação das redes sociais, da imprensa ou do eleitorado. E também põe de lado explicações que colocam o desfecho como a vitória de uma parte do país contra outras, como se constata da observação do mapa dos resultados eleitorais. Também não se pode usar o argumento de que a vitória dependeu de um melhor uso das redes sociais, pois esse uso estava ao alcance de todos e se o Partido Trabalhista não o fez só ele pode ser responsabilizado. O Partido Conservador foi mais profícuo em mentiras declaradas, mas o Partido Trabalhista prometeu coisas a mais, o que é diferente eticamente, mas não do ponto de vista da política eleitoral. A exceção, importante, mas sempre exceção, dada a dimensão relativa da região, foi a Escócia, onde Boris Johnson não entrou. Mas a verdade é que o Partido Conservador conseguiu importantes vitórias em muitos círculos tradicionalmente trabalhistas. Era nessas áreas que o Manifesto de esquerda tradicional teria mais hipóteses de ganhar, pois são as áreas mais afetadas pela austeridade dos últimos nove anos. Mas tudo saiu ao contrário. Porquê?