Premium "Deus não nos ouve quando estamos menstruadas." Vamos falar sobre o período?

A igualdade de género também passa por dizer em voz alta que as mulheres sangram. Sem vergonha e evitando o sussurro. É isso que fazem uma curta-metragem vencedora de um Óscar e um novo emoji.

"Deus não nos ouve quando estamos menstruadas", diz uma das adolescentes entrevistadas para o documentário Period. End of Sentence, que venceu o Óscar de Curta-Metragem Documental no último domingo (24 de março). A reação da realizadora norte-americana (de origem iraniana) Rayka Zehtabchi ao saber que o filme ganhara uma estatueta dourada é por si só um statement. "Não posso acreditar que um filme sobre menstruação tenha ganhado um Óscar", disse no Kodak Theatre. Já antes tinha brincado, um comentário que deveria ser entendido como ácido, não fosse o momento de festa: "Não choro porque estou com o período" mas sim por estar emocionada.

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'Motu proprio' anti-abusos

1. Muitas vezes me tenho referido aqui, e não só aqui, à tragédia da pedofilia na Igreja. Foram milhares de menores e adultos vulneráveis que foram abusados. Mesmo sabendo que o número de pedófilos é muito superior na família e noutras instituições, a gravidade da situação na Igreja é mais dramática. Por várias razões: as pessoas confiavam na Igreja quase sem condições, o que significa que houve uma traição a essa confiança, e o clero e os religiosos têm responsabilidades especiais. O mais execrável: abusou-se e, a seguir, ameaçou-se as crianças para que mantivessem silêncio, pois, de outro modo, cometiam pecado e até poderiam ir para o inferno. Isto é monstruoso, o cume da perversão. E houve bispos, superiores maiores, cardeais, que encobriram, pois preferiram salvaguardar a instituição Igreja, quando a sua obrigação é proteger as pessoas, mais ainda quando as vítimas são crianças. O Papa Francisco chamou a esta situação "abusos sexuais, de poder e de consciência". Também diz, com razão, que a base é o "clericalismo", julgar-se numa situação de superioridade sagrada e, por isso, intocável. Neste abismo, onde é que está a superioridade do exemplo, a única que é legítimo reclamar?