Premium A arte é um comércio de ironias

O anónimo conhecido como Banksy é uma parte importante de um sistema artístico que premeia o vedetismo e que aceita a crítica, desde que esta jogue com as regras do próprio sistema.

No dia 5 de outubro, um leilão na londrina Sotheby"s deixou o mundo da arte em alvoroço: quando se terminava a venda de um quadro de Banksy, a imagem ficou parcialmente destruída por um mecanismo acionado pelo próprio artista. Foi o suficiente para lançar um debate, que ainda está longe de terminar, em que se questiona a dimensão do mercado artístico, as opções tomadas pelos criadores e a redução da arte plástica a um mero produto financeiro cujo objetivo é o lucro imediato. Banksy lançou o vídeo da performance nas redes sociais e ficou a assistir à discussão alimentada por tweets inflamados e teorias mais ou menos conspirativas.

Na última sexta-feira, precisamente uma semana depois do acontecimento, a própria Sotheby"s veio congratular-se, argumentando que em vez da destruição de uma obra de arte se tinha assistido ao nascimento de uma nova, algo que ocorreu pela primeira vez num leilão. O artista até deu um novo nome ao quadro (Love Is in the Bin), agora semidestruído, transformado e com valor duplicado - uma obra cujo mérito é dúbio.

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