Frederico Varandas teceu esta quarta-feira, 27 de maio, críticas aos jogadores do Sporting, após a derrota às mãos do Torreense, da II Liga, na final da Taça de Portugal."É só um dia, mas obriga a essa pergunta. O que aconteceu? O Sporting perde a final por cansaço, ausência de jogadores, incapacidade técnica, tática? Não, perde porque não competiu, a atitude de quem quer ganhar um título nacional. De uma forma geral, e tenho de ser justo, é um grupo de jogadores que já ganhou muito, mas o Sporting quer ter um grupo que queira continuar a ganhar muito. O Sporting respeita e quer jogadores que tenham como objetivo jogar Liga dos Campeões, estar no Mundial, mas também exige que tenham essa ambição e empenho a jogar e ganhar competições internas, nomeadamente contra equipas de competição inferior. Um jogador do Sporting tem a obrigação, e eu percebo que tenham objetivos pessoais, quero e respeito. Falo de estar em Mundiais, representar seleções, fazer grandes campanhas europeias, mas o objetivo principal é ganhar títulos pelo Sporting, a entidade patronal que paga o salário. Se a motivação não for a mesma, esse jogador não terá espaço", afirmou o presidente leonino, à margem das celebrações dos 70 anos do Estádio Universitário de Lisboa.Varandas negou ainda que Rui Borges vá começar a próxima temporada pressionado: "A coisa mais importante para um clube é a maneira como o seu presidente reage na derrota, mais do que na vitória. Desde domingo até hoje vi que estava pressionado, mas onde? Nas capas de jornais, nas redes sociais. Gostaria de dizer que todas estas variáveis que disse contam zero para a decisão do Sporting. Rui Borges é treinador do Sporting, o ano passado levou a equipa a todas as decisões, ganhou, este ano levou e não ganhou. É o nosso treinador, o assunto está encerrado."Depois da dobradinha, e apesar de ter chegado aos quartos de final da Liga dos Campeões, o Sporting terminou a temporada de 2025/26 sem qualquer título, ao terminar a I Liga no segundo lugar e ao ser batido por Benfica, na Supertaça Cândido de Oliveira, e pelo secundário Torreense, na final da Taça de Portugal..Sobre os rivais, o líder dos leões acusou FC Porto e Benfica de seguirem uma estratégia “desonesta” de pressão sobre a arbitragem e defendeu que os ‘leões’ têm sido os únicos a propor mudanças estruturais no futebol português.“Ficou provado que Benfica e FC Porto têm uma estratégia de comunicação, que é uma estratégia que já não só de comunicação, é desportiva. Que é condicionar ao máximo a arbitragem. Sem qualquer pudor, sem qualquer honestidade”, disse aos jornalistas.Frederico Varandas, que lidera o clube leonino desde 2018, acusou os rivais de “contarem metade da história” nos comunicados e nas newsletters.“É de uma desonestidade intelectual”, considerou o presidente leonino.Varandas deixou ainda críticas diretas ao presidente do FC Porto, André Villas-Boas, que esta quarta-feira classificou como “patéticas” e “chico-espertice” as propostas apresentadas pelo clube verde e branco na última Assembleia Geral (AG) da Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP), na passada quarta-feira.“O maior elogio que se pode fazer ao Sporting é que, cada vez que o presidente do FC Porto fala, fala do Sporting. É nos festejos, em entrevistas. Os sportinguistas esperaram isto 40 anos, se calhar não percebem, mas é um grande elogio”, ironizou.Detalhando propostas apresentadas na AG da LPFP, o dirigente verde e branco insistiu que quer ser “cirúrgico nas palavras” e “rigoroso”, sublinhando que não pretende “ofender ninguém”.“O presidente do FC Porto disse em direto para todo o país que eu tinha chamado ladrão ao presidente da Federação [Portuguesa de Futebol], a João Capela e a Nuno Almeida [antigos árbitros]. Disse uma mentira”, afirmou, referindo-se às declarações de André Villas-Boas depois do clássico da primeira mão das meias-finais da Taça de Portugal, no Estádio José Alvalade, em Lisboa, no início de março, que os leões venceram por 1-0.O líder leonino esclareceu também a polémica sobre a proposta apresentada na AG da LPFP para que os cantos mal assinalados fossem revistos pelo videoárbitro (VAR).“O IFAB [International Board] permitiu a alteração das leis do jogo, mas não obriga à aplicação. Cabe a cada Liga decidir”, disse, lembrando que o Sporting propôs a adoção imediata dessa possibilidade após o polémico lance que deu a vitória por 2-1 aos leões no terreno dos açorianos do Santa Clara, para a I Liga: “O FC Porto, que andou o ano todo a queixar-se deste lance, votou contra”.Varandas lamentou que todas as propostas apresentadas pelos leões tenham sido chumbadas na AG da LPFP, deixando ainda um recado aos clubes mais pequenos.“Ninguém quer mudar o futebol português. Os clubes pequenos querem continuar que os grandes possam fazer tudo quando condicionam árbitros”, salientou.