O grupo tailandês King Power, que atua nos setores de viagens e vendas a retalho, consultou banqueiros de investimento do Citigroup no intuito de procurar comprador para o mais mediático dos seus ativos: o Leicester City Football Club. Em causa, a crise desportiva e financeira que atinge o clube campeão inglês em 2016, há exatos 10 anos, naquela que foi seguramente a maior surpresa do futebol local desde a criação da Premier League no início dos anos 90 do século passado. Hoje, os Foxes estão no terceiro escalão. Adquirido em 2010 pelo tailandês Vichai Srivaddhanaprabha, fundador multimilionário da King Power, quando a equipa ocupava uma posição intermediária no Championship, a segunda divisão do futebol inglês, o clube chegou à Premier League em 2014. E conquistou-a dois anos depois, sob o comando do treinador italiano Claudio Ranieri, no banco, e do inglês Jamie Vardy, do francês N’Golo Kanté ou do argelino Riyad Mahrez, em campo, quando, supostamente, teria a permanência na elite como único, realista e modesto objetivo naquela época. No ano seguinte, os Foxes chegaram aos quartos-de-final da Liga dos Campeões e em 2020 e 2021 ainda obtiveram dois honrosos quintos lugares na Premier League, a que somaram a conquista de uma inédita Taça de Inglaterra, em 2020/21. Mas a morte de Srivaddhanaprabha num trágico acidente de helicóptero, em 2018, e os efeitos da pandemia de covid-19 levaram anos depois à queda do clube já sob controle de Aiyawatt, filho do fundador. Em 2023, o Leicester desceu para o Championship, ainda subiu em 2024 mas voltou a cair em 2025 já sob intenso escrutínio das autoridades sobre as suas finanças. E na temporada passada já sofreu mesmo uma punição de seis pontos por violar as regras de limite de gastos e foi despromovido para a League One, terceiro escalão do futebol inglês, juntamente, por exemplo, com o Sheffield Wednesday, outro clube que enfrentou dificuldades sob a gestão de proprietários tailandeses, foi punido com pontos de penalização e acabou comprado, em maio, por um consórcio dos EUA.Relatórios financeiros divulgados este ano mostraram que o Leicester teve um prejuízo de 71,1 milhões de libras (cerca de 83,1 milhões de euros) na temporada 2024/25, quando ainda disputava a milionária Premier League, competição que impulsiona as receitas com direitos de transmissão e outras fontes. E, no ano passado, os proprietários do clube anularam 124 milhões de libras (cerca de 145 milhões de euros) em empréstimos de acionistas, convertendo a dívida em participação acionária, noticia o Financial Times.Pelo meio, os ambiciosos projetos de construção de nova academia de treinos e de expansão do estádio foram suspensos.A principal atividade da King Power, viagens e retalho, vem sendo afetada pela queda no número de visitantes, sobretudo chineses, na Tailândia após a pandemia. A Airports of Thailand até informou em outubro que havia concordado em renegociar alguns dos contratos de concessão de retalho da empresa. O Citigroup, o Leicester e a King Power ainda não comentaram a venda.