França proíbe máquinas de oferta ilimitada de bebidas

Em Portugal, imposto sobre as bebidas açucaradas entra em vigor a 1 de fevereiro
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Em França, já não é possível ir a um restaurante, pagar um determinado valor pelo almoço e poder encher o copo de sumo numa máquina as vezes que quiser. O governo aprovou uma lei que proíbe a distribuição ilimitada de bebidas açucaradas, gratuita ou por um valor fixo, em espaços de restauração, hotelaria e educação, como cantinas escolares. É mais uma medida para combater o excesso de peso e a obesidade no país que, desde 2012, paga mais pelas bebidas açucaradas. Uma realidade que os portugueses vão conhecer esta quarta-feira, com a entrada em vigor do novo imposto sobre as bebidas com açúcar.

Da lista fazem parte refrigerantes aromatizados com e sem gás, concentrados, refrigerantes à base de água, leite, cereais, legumes e fruta, bebidas energéticas e néctares. "Porque contêm açúcares adicionados ou adoçantes artificiais", lê-se no decreto-lei que entrou em vigor na sexta-feira. A medida estava incluída na Lei da Modernização do Sistema de Saúde, que o governo francês promulgou a 26 de janeiro de 2016.

A guerra ao açúcar já começou há alguns anos. Em 2011, o governo francês decidiu aplicar um imposto sobre as bebidas que contenham açúcar ou outros edulcorantes. Segundo o El Mundo, o estudo Nutrinet feito pela Direção-Geral da Saúde francesa em 2013 revelou uma diminuição no consumo de bebidas com gás, mas é necessária mais investigação para confirmar o efeito positivo do imposto no consumo de açúcar.

Em França, a percentagem de pessoas com obesidade situa-se nos 15.3%, um pouco acima da média na Europa (15.9%). Em Portugal, os dados mais recentes (2014) indicam que um milhão de portugueses sofre de obesidade e cerca de 3.5 milhões tem excesso de peso. Uma das medidas anunciadas para combater o problema foi, precisamente, a taxação de bebidas açucaradas, que entra em vigor na próxima quarta-feira, dia um de fevereiro.

Já este mês, era suposto todos os pacotes de açúcar distribuídos na cafetaria e restauração passarem a ter entre cinco e seis gramas, ao contrário das anteriores seis a oito, fruto de um acordo entre a indústria e as autoridades de saúde portuguesas. Ainda com o mesmo objetivo é suposto, a partir de março, os doces, os snacks e os salgados desapareceram das máquinas de venda do Serviço Nacional de Saúde.
A bastonária da Ordem dos Nutricionistas, Alexandra Bento, em recentes declarações ao DN, aplaudiu as referidas medidas, mas lembrou que é preciso fazer mais. "O que se quer é que haja um acordo entre o Ministério da Saúde e as associações do setor - dos refrigerantes, dos cereais, dos laticínios - e que se comprometam com uma redução do açúcar num determinado horizonte temporal", referiu.

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