A Polícia Municipal (PM) de Lisboa vai ficar com um corpo de 700 agentes, devido à entrada de 251 elementos nos próximos dias, na maioria oriundos da Divisão de Trânsito da PSP de Lisboa. Desses 215, já entraram 152 nos últimos dias. Em contrapartida, a Divisão da PSP da Amadora conta com 500 agentes, incluindo os da área de investigação criminal, naquela que é uma das zonas com maior criminalidade na Grande Lisboa, com bairros problemáticos como Cova da Moura, 6 de Maio ou Santa Filomena. A Amadora tem uma população de 175 653 mil pessoas e uma taxa de 49,6 crimes por mil habitantes, segundo os últimos dados da Pordata. Lisboa, um concelho maior, tem 513 064 pessoas e uma taxa de 76,7 crimes por mil habitantes. O Relatório Anual de Segurança Interna analisa apenas a criminalidade por distrito, pelo que não tem dados referentes aos concelhos..Nos dois concelhos, a PSP é a única força de segurança a policiar. As polícias municipais de Lisboa e da Amadora não têm competência para investigar crimes, apenas para a fiscalização do trânsito e das obras e regulamentos municipais..O reforço do papel da PM de Lisboa na regulação do trânsito da capital vem ao encontro de um projeto que ainda é do tempo de António Costa como presidente da Câmara de Lisboa. Este segundo concurso para a PM (já tinha havido um, em maio, com a entrada de 45 elementos da PSP) completa uma transferência de serviços em matéria de tráfego e estacionamento da Divisão de Trânsito da polícia para a Polícia Municipal, que fora anunciada pela ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, em fevereiro do ano passado..Mas a Divisão de Trânsito da PSP de Lisboa continua a existir, limitada agora a cerca de 300 elementos e com mais competências do que a Polícia Municipal, soube o DN junto de fonte policial. Os fiscais fardados e armados da PM não vão a acidentes de trânsito nem os investigam, nem têm competências sobre o controlo do trânsito na Ponte 25 de Abril e nas vias rápidas da Grande Lisboa como a A9, a A8 e o IC19. Essas continuam a ser atribuições da Divisão de Trânsito, tal como a realização de operações stop em locais estratégicos..O aumento do efetivo da Polícia Municipal foi justificado com as atuais necessidades de Lisboa. As obras no eixo central da capital (entre o Marquês de Pombal e Entrecampos) , e em outras zonas da cidade (como o Cais do Sodré ou a Segunda Circular) têm de ser acompanhadas pela PM, que assegura a fluidez da circulação automóvel. O corpo das polícias municipais de Lisboa e Porto continua a ser o único constituído por agentes e oficiais da PSP, requisitados e pagos pelo município. Por estarem em comissão de serviço, os polícias destacados para a PM ganham mais 300 euros mensalmente do que os colegas da PSP.