Novos computadores começam a chegar aos centros de saúde

Processo para Lisboa e Vale do Tejo está atrasado. Médicos pedem integração das várias ferramentas informáticas

Em setembro do ano passado o ministro da Saúde prometeu distribuir mais de 10 mil novos computadores nos centros de saúde, a começar nesse mês na Administração Regional de Saúde (ARS) de Lisboa e Vale do Tejo. Mas os primeiros chegaram à região Centro em dezembro e janeiro. Mais aparelhos estão a chegar aos centros de saúde no Centro e Norte do país. Em Lisboa e Vale do Tejo o processo está atrasado. Médicos defendem maior integração dos sistemas e apoio informático a funcionar nos períodos das consultas.

As unidades dos agrupamentos de centros de saúde (ACES) da Cova da Beira e Dão Lafões foram as primeiras a receber computadores: 300, mas mais são esperados. "Está agendada a instalação de mais 812 postos de trabalho, perfazendo um total de 1112 computadores. Iniciaram-se esta semana as ações para a instalação de computadores, estando prevista a instalação de 100 por semana", diz ao DN os Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS). A ARS Centro apontou um investimento de 514 mil euros para os 940 aparelhos já adquiridos.

Também no Norte o processo está em marcha. Na semana passada instalaram mais de 100 computadores, mas há mais mil em fase de entrega. "Começámos pelos ACES Barcelos-Esposende, Gondomar e Porto Ocidental. O processo é para estender a todos os ACES", diz a ARS, referindo que para a região estão previstos 3330 computadores, num investimento superior a 1,7 milhões de euros. "Os restantes 2100 computadores estão a aguardar o visto do Tribunal de Contas", adianta.

No Algarve são esperados 500 computadores, no valor estimado de 240 mil euros, que segundo a ARS já começaram a ser distribuídos, tal como uma parte das 126 impressoras. Já a SPMS diz que 300 começarão a ser instalados "assim que estejam desbloqueadas as questões jurídicas". Mais complicada é a situação do mais de 6 mil equipamentos para Lisboa e Vale do Tejo. "Dois mil computadores aguardam visto do Tribunal de Contas para ser possível o início da instalação. Existe um outro processo de mais de 4600 computadores que está em contencioso jurídico", diz a SPMS.

"O desinvestimento no parque informático dos cuidados de saúde primários levou à identificação de computadores bastante obsoletos, redes locais e ativos de rede muito envelhecidos e desadequados que acabam por "garrotar" os aumentos de rede RIS que possam ser feitos", refere. Será preciso substituir muitos ativos de rede locais, estimando que "um investimento de 8,2 milhões de euros, cujo financiamento está em estudo".

Se o investimento no final de 2016 e início de 2017 para a melhoria da rede informática nos centros de saúde foi sido feita com fundos próprios da SPMS, no caso dos hospitais foram apresentadas 41 candidaturas - pelas unidades e SPMS - ao SAMA 2020 (Sistema de Apoio à Modernização Administrativa). "Muitas já foram aceites, mas existem algumas que ainda estão em fase de apreciação. O total das candidaturas foi de 38 366 510 euros."

Para João Rodrigues, presidente da Associação de Unidades de Saúde Familiares, há um trabalho de base que falta fazer. "Os nossos centros de saúde são dos mais informatizados e com mais potencial da Europa, mas temos problemas de base que estão a levar muito tempo a serem resolvidos. A informatização tem sido feita com programas isolados que não se integram. Temos 18 programas. Seria tudo mais funcional e com menos peso para a rede se estivesse tudo integrado. A largura de banda é muito estreita e a dificuldade começa aí. A estruturação continuada está a falhar. A saúde não tem uma base de dados de utilizadores atualizada", aponta.

Rui Nogueira, presidente da Associação dos Médicos de Família, reforça: "Os computadores são muito necessários e um sistema informático ágil para que os médicos saibam o que uns e outros fazem nos cuidados ao doente. Em pico máximo de utilização passamos 10 receitas por segundo. É uma rede enorme que tem de ter maior disponibilidade tecnológica para que o sistema funcione com agilidade. Isso ainda não acontece. Falta apoio informático. É preciso que este esteja disponível dentro dos horários de atendimento e não apenas das 9.00 às 17.00, quando dou consultas até às 20.00. Se um computador avaria tem de haver agilidade para o substituir logo, enquanto o outro arranja".

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