"É a União Europeia (UE) no seu pior. Por um lado quer dar uma pantufada no governo anterior -dizendo que não cumpriu o compromisso assumido do défice abaixo dos 3% - mas também dá uma pantufada ao governo de António Costa, dizendo que nos últimos tempos abrandou o esforço de redução do défice e as reformas estruturais. Tenta agradar a gregos e troianos", disse esta noite Luís Marques Mendes, no seu comentário na SIC, sobre a decisão da Comissão Europeia de remeter a decisão das sanções para os ministros das Finanças da zona euro, que se reúnem na terça-feira. Para Marques Mendes a essa foi uma "decisão hipócrita", pois se segundo as regras dos tratados quem não cumpre o défice deve ter sanções, não deve agora "lavar as mãos como Pilatos e dizer que quem decide as sanções são os ministros das Finanças"..O comentador não acredita que Portugal vá ser punido com sanções, mas admite que "é sempre um totobola", embora, sublinha, "ao dar a palavra aos ministros das Finanças, a Comissão está a dar um sinal daquilo que vai acontecer: os ministros não estão interessados em aplicar uma sanção por aquilo que aconteceu no ano passado. Estão, sobretudo, interessados em fiscalizar o cumprimento da aplicação do orçamento deste ano, para ver se finalmente fica abaixo de 3% e condicionar o orçamento do próximo ano"..Marques Mendes diz que "isto é uma luta política.Lá e cá. Por isso a maior parte das pessoas não entende estes senhores. Lá fora e cá dentro. O que devia acontecer cá dentro, como é uma questão nacional, todos os partidos deviam estar de acordo, de mãos dadas a defender o interesse nacional em Bruxelas. Mas o que assistimos é o governo que gostaria que houvesse uma ferroada no governo anterior e o anterior gostava que a ferroada fosse no atual. Estão todos na partidarite aguda e politiquice barata"..O antigo líder social-democrata comentou também a contratação de Durão Barroso para a Goldman Sachs. Entende que ao aceitar este cargo, o ex-presidente da Comissão Europeia "está a dar um sinal clarinho como água de que não vai voltar à política, nem em Portugal, nem lá fora". Isto porque, explicou "este é um cargo muito importante e muito bem remunerado, que suscita grandes invejas. Este cargo é bom para quem não quer fazer mais vida política. É tóxico para quem quer voltar à vida política"..A concluir o seu comentário semanal, Marques Mendes corrigiu Mardelo Rebelo de Sousa, em relação ao prazo que o Presidente da Repúblca tinha indicado para a nova administração da CGD tomar posse, entre 10 a12 dias (a contar do passado dia 5 de julho). Marques Mendes disse que se informou sobre "o estado da arte" e concluiu que "muito dificilmente teremos a nova administração da caixa dentro desse prazo. Isto porque no mesmo dia em que o Presidente estava a dizer isso, constatei que ainda não tinha chegado ao Banco Central Europeu, em Frankfurt, o processo burocrático para apreciar os nomes propostos para a nova administração. E isso leva normalmente entre três a quatro semanas. Ou seja, nunca antes do fim do mês de julho, isto se não entrar por agosto"