Marcelo quer influenciar deputados e Constitucional para travar subvenções

Candidato foi, finalmente, mais afirmativo sobre o assunto e admite tentar influenciar os juízes do Palácio Ratton, caso seja eleito
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Marcelo Rebelo de Sousa foi hoje forçado a voltar a falar das subvenções vitalícias e disse que, caso seja Presidente, espera que "seja possível influenciar os que decidem, os parlamentares e, se possível, o próprio Tribunal Constitucional, no sentido de não haver um tratamento desigual". Ou seja: a acabarem com as subvenções vitalícias dos políticos.

O candidato respondia após ser abordado de uma forma mais agressiva por um popular, na Avenida nos Aliados, no Porto, que começou por dizer: "Trabalham pouco na Assembleia da República e têm reformas vitalícias". Marcelo respondeu, quase no imediato: "Sabe que eu sou contra as subvenções vitalícias. E nunca recebi nenhuma".

[citacao:Sabe que eu sou contra as subvenções vitalícias. E nunca recebi nenhuma]

Mas o interlocutor insistiu que "tem de fazer alguma coisa. Não é só blá, blá, blá. Andei a sofrer pelo PS e depois vocês vão para lá e não fazem nada pela gente". Após ser abordado, Marcelo foi questionado pelos jornalistas sobre o que ia fazer e aí foi um pouco mais longe do que já tem vindo a dizer. Desde logo falou "no exemplo" que o próprio dará, lembrando que "logo quando apresentei a candidatura disse que prescindia de todos os privilégios". Além disso, garantiu que vai mesmo influenciar os órgãos de soberania que têm essa decisão nas mãos.

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O que dizem os outros candidatos

Estas declarações surgem horas depois de Maria de Belém ter assumido que não abdicará da subvenção a que tem direito. "Isto pode ser muito prejudicial para a minha candidatura. Mas não abdico de defender a minha coerência e de afirmar que lutarei pelos direitos dos outros se lutar bem pelos meus", afirmou Maria de Belém.

Belém é assim o único candidato presidencial que não se manifesta contra a reposição destes pagamentos.

O candidato presidencial António Sampaio da Nóvoa disse hoje não pôr em causa as subvenções vitalícias dos antigos chefes de Estado, que o apoiam nas eleições, mas reiterou que se chegar ao Palácio de Belém não quererá ter a referida subvenção.

"Tenho um enorme respeito por tudo o que são contratos com pessoas, previsibilidade nas vidas das pessoas. Respeito isso integralmente. Mas julgo que ao olhar para o futuro temos o direito também de dizer o que é a nossa opção. E a minha opção é que nunca quererei ter uma subvenção desse tipo", vincou Nóvoa.

Sampaio da Nóvoa, ontem em Guimarães, já tinha dito que se fosse deputado "jamais" teria pedido ao Tribunal a fiscalização e acrescentou que era contra a existência de subvenções vitalícias.

Ontem, na Baixa da Banheira, Setúbal, o candidato apoiado pelo PCP, Edgar Silva, disse que sempre defendeu o fim das subvenções, acrescentando que cabia a Maria de Belém responder "do ponto de vista ético pela sua intervenção e postura".

Marcelo Rebelo de Sousa, na terça-feira, no debate a RTP, disse que sempre foi crítico das subvenções vitalícias e considerou que a decisão do TC "é difícil de aceitar do ponto de vista da justiça social", já que há também outras expectativas jurídicas que devem ser protegidas e deu o exemplo dos trabalhadores de transportes públicos de Lisboa, a quem foram cortados complementos de reforma.

Henrique Neto disse ser "contra a vergonha da subvenção vitalícia" e atirou de seguida às despesas da Presidência da República que, citando o Tribunal de Contas, "não seguem o que a lei manda e há muitos anos".

"Agora a Presidência promete corrigir isso, no último ano", afirmou, numa parte do debate em que os candidatos falaram sobre vários temas, incluindo as subvenções e a corrupção.

Marisa Matias recusa votar ao esquecimento o tema das subvenções vitalícias dos políticos - cuja revogação foi chumbada pelo Tribunal Constitucional (TC) - e afirmou esta quarta-feira, em Braga, que esse regime "é um autêntico desfalque" e apenas reflete "a falta de escrúpulos de quem o aprovou e decidiu manter".

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A candidata à Presidência da República endureceu o tom para com os 30 deputados (21 socialistas e nove sociais-democratas) que recorreram ao Palácio Ratton, e também falou grosso para os juízes. "O regime das subvenções vitalícias, num país em que se chega a trabalhar 50 anos por pensões de miséria, não tem nenhuma sombra de legitimidade. É um autêntico desfalque de dinheiros públicos tornado legal pela falta de escrúpulos de quem o aprovou e decidiu manter", atirou a eurodeputada, muito aplaudida por uma plateia onde estava, entre outros, o fundador do BE Francisco Louçã.

Vitorino Silva [Tino de Rans] preferiu dirigir a sua indignação em forma de pergunta: "Subvenções vitalícias? Eu tinha vergonha. Doze anos no parlamento? Eu tinha vergonha", declarou, recordando que na segunda-feira esteve "a dormir com sem-abrigo".

Já Cândido Ferreira considerou que "é impossível os portugueses entenderem" a questão das subvenções" e declarando que "os portugueses não aceitam isso" passou a debater outras matérias.

O candidato Jorge Sequeira não se pronunciou sobre o tema das subvenções vitalícias.

Diário de Notícias
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