Quem chega ao Hospital Beatriz Ângelo, em Loures, depara-se com uma linha vermelha a partir da qual não é permitido fumar. Fica a dez metros da porta principal da instituição e é acompanhada pela frase "Proibido fumar a partir desta linha". O método adotado para manter a entrada do hospital livre de fumo poderá vir a ser replicado em outras unidades do país. Isto porque o governo tem em discussão um projeto de proposta de alteração à lei do tabaco que prevê a proibição de fumar junto às portas e janelas de hospitais e escolas e que também equipara os cigarros eletrónicos aos cigarros tradicionais.."Há hospitais que marcam com uma linha no chão o espaço onde não se pode fumar. Esta pode ser combinada com sinalética que indique que se vai entrar numa zona livre de fumo e, eventualmente, um local onde a pessoa possa deixar o seu cigarro", sugere José Pedro Boléo-Tomé, coordenador da comissão de tabagismo da Sociedade Portuguesa de Pneumologia, destacando que, a concretizar-se em Portugal, a medida será "um grande avanço". A partir do momento em que fumar em espaços fechados foi proibido, prossegue, "muitos países alargaram a proibição ao espaço circundante". Mas também "é preciso que haja fiscalização e que as pessoas saibam que há coimas"..Em países como Reino Unido, Espanha, Dinamarca e Escócia já não é permitido fumar junto às entradas de escolas e hospitais. Em alguns estados dos EUA, o fumo é proibido a menos de seis metros de qualquer edifício público. Em Portugal, adianta o jornal Público, o governo está a estudar uma alteração à lei do tabaco que visa a proibição "nos locais destinados a menores de 18 anos, nos estabelecimentos de ensino, independentemente da idade dos alunos, e nos estabelecimentos onde sejam prestados cuidados de saúde". A ideia é que "passe a ser proibido fumar no exterior junto a portas e janelas numa distância mínima que impeça entrada do fumo nos edifícios"..A proibição junto às escolas é, para José Pedro Boléo-Tomé, "fundamental". "Quanto menos as crianças e os adolescentes forem expostos ao tabaco, melhor. É prevenção primária", defende. Já nos hospitais, "se é uma instituição que trata doentes - muitos com problemas relacionados com o tabaco -, não faz sentido que estes sejam expostos a profissionais, doentes e visitantes a fumar à porta". O coordenador da comissão de tabagismo da SPP vai mais além: "Devia caminhar-se no sentido de alargar as restrições às portas de outros edifícios públicos, onde passam milhares de pessoas por dia.".Contactado pelo DN, o presidente da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares (APAH) disse que "a medida é bem acolhida", uma vez que "muitas vezes, há profissionais e doentes que fumam à porta dos hospitais, o que não é positivo". À semelhança do que acontece no Hospital Beatriz Ângelo, Alexandre Lourenço acredita que "existam outros exemplos" de hospitais livres de fumo à porta em Portugal..Proibição alargada.De acordo com a edição de ontem do Público, o governo quer que, a partir de 1 de janeiro do próximo ano, seja proibido fumar cigarros eletrónicos onde já estão interditos os cigarros tradicionais. Além disso, o novo projeto - que ainda está a discussão e deverá ir em breve a Conselho de Ministros - prevê que estes produtos passem a ter rotulagem que alerte para os seus perigos para a saúde.."Só pelo facto de conterem nicotina são altamente aditivos e devem ser sujeitos às mesmas restrições que o tabaco. Além disso, têm outras substâncias, que se sabe que são potencialmente perigosas", defende Boléo-Tomé.