O futebol (um jogo simples e muito dado a momentos de sorte) levou-me a sobrestimar desconhecidos: desta vez é que é... Mas o futebol é também sincero, nele dificilmente se guarda uma falsa aura por muito tempo. Ele é mais para namoricos do que paixões eternas. Assim, a ex-promissora Islândia lá foi, gostei enquanto durou. Pequenina e corajosa, a primeira condição sendo a adequada para chamar a atenção e a segunda, melhor para manter o interesse. Torneios, como os Euros e Mundiais, que vivem o tempo duma rosa, ajudam ao surgir de Islândias - uma sequência curta de bons resultados, dois ou três, criam-lhe a fama de miss colónia de férias. A que me iludiu neste ano era pequenina (o país tem a população da Mouraria) e os seus futebolistas usam barbas como vikings hipsters (importante, agora, quando há tantos elas como eles nos sofás). Durante dias, tive um affaire. Ontem, fanou-se-me um affaire. O que é lindo no futebol é que as suas separações não precisam de comprimidos para esquecer. Mas, atenção, não confundir esses namoricos com o assunto complicado e grandioso que levará a Europa a decidir. A semana vai ser marcada pelo duelo França-Alemanha, ambas aterrorizadas por terem de encontrar o adversário de domingo. Já nós teremos uma semana tranquila, com um treino, na quarta. Engraçado como alemães e franceses sobrestimam os seus, como eu a Islândia: "Desta vez é que é...", sonham. Deixá-los iludidos.