Trump volta atrás: colaboração com Putin em cibersegurança "não pode acontecer"

"É como se o homem que assaltou a tua casa te propusesse um grupo de trabalho para impedir assaltos". Presidente criticado por sugerir unidade de cibersegurança com a Rússia
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"Não é a ideia mais estúpida que já ouvi, mas está muito perto", disse o senador republicano Lindsey Graham, após o presidente dos Estados Unidos ter anunciado que discutiu com o presidente da Rússia a formação de uma unidade de cibersegurança.

O anúncio de Trump foi feito no Twitter este domingo. Os líderes dos Estados Unidos e da Rússia reuniram-se pela primeira vez na Alemanha, na sexta-feira, e o conteúdo das conversações ainda não tinha sido divulgado.

Pelo Twitter, Trump revelou que discutiu com Vladimir Putin a formação de uma "unidade de cibersegurança impenetrável" para "que a pirataria nas eleições e muitas outras coisas negativas sejam evitadas e seguras".

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Após várias críticas, tanto do lado dos democratas como dos republicanos, Trump disse, também no Twitter horas depois - ainda no domingo - que tal unidade e parceria não pode ser criada.

"O facto de o presidente Putin e eu termos discutido uma unidade de cibersegurança não quer dizer que acredite que tal possa acontecer. Não pode [acontecer]", escreveu Trump.

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"É como se o homem que assaltou a tua casa te propusesse um grupo de trabalho para impedir assaltos", comentou o ex secretário da Defesa Ash Carter, da administração de Obama, segundo a Reuters.

"Fazer uma parceria com Putin numa 'unidade de cibersegurança' é como fazer uma parceria com [o presidente da Síria] Assad numa 'unidade de armas químicas'", disse por sua vez o senador republicano Marco Rubio, no Twitter.

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A comparação é baseada nas acusações de que Assad usou armas químicas contra o povo sírio este ano e que a Rússia tentou interferir nas eleições presidenciais de 2016, a favor de Donald Trump.

Estas acusações têm ensombrado a presidência de Trump e foi nomeado em maio um procurador especial para investigar "os esforços do governo russo para influenciar a eleição presidencial de 2016 e assuntos relacionados", anunciou o Departamento de Justiça norte-americano.

No centro do inquérito estão as ligações entre membros da campanha de Donald Trump e altos funcionários russos e os ataques informáticos realizados por hackers russos que poderão ter afetado o resultado eleitoral.

Trump disse que abordou diretamente na reunião a questão polémica da alegada interferência russa nas eleições."Pressionei fortemente o presidente Putin duas vezes sobre a intromissão russa nas nossas eleições. Ele negou veementemente".

O senador republicano Lindsey Graham criticou a posição de Trump, que parece querer "esquecer e perdoar" a Rússia, na questão dos ataques informáticos que afetaram as eleições.

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Donald Trump, que no passado mostrou sua admiração por Putin e que tem mantido relações mais próximas com líderes autoritários, disse na sexta-feira sentir-se "honrado" por se reunir com o Presidente russo pela primeira vez.

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