Nos últimos dias Londres e a União Europeia trocaram avisos. O presidente francês afirmou na semana passada que o Reino Unido "terá de pagar um preço" por abandonar a UE. Ontem surgiu a resposta do governo britânico. David Davis, ministro responsável pelo brexit, deixou claro que um "plano punitivo" não é uma boa estratégia a ser seguida: "Se forem por esse caminho e ele falhar, outros países que queiram sair terão ainda mais incentivos para o fazer do que se não houver qualquer punição.".Em causa está aquela que provavelmente será a mais difícil quadratura do círculo no processo de divórcio. Londres quer acesso ao mercado único, mas não quer a livre circulação de pessoas. Bruxelas diz que uma coisa implica a outra. "Neste país acreditamos no comércio livre. É benéfico para os dois lados. Não consigo ver uma lógica numa estratégia punitiva contra um dos mais fortes e leais aliados [da UE]. Os principais prejudicados seriam os industriais e os agricultores europeus que exportam para o Reino Unido", sublinhou Davis..A partir de Copenhaga, na Dinamarca, Theresa May tentou tranquilizar os cidadãos da União Europeia que vivem e trabalham no Reino Unido. "Espero ser capaz de garantir todos os seus direitos desde que os britânicos residentes noutros países europeus recebam o mesmo tratamento", sublinhou a primeira-ministra britânica. Não é a primeira vez que a sucessora de David Cameron faz esta afirmação, mas desta vez ela surge depois de, na semana passada, Liam Fox, ministro para o Comércio Internacional, ter dado a entender que esse poderia ser um dos trunfos nas negociações com Bruxelas..Tal como avança o The Telegraph, a primeira-ministra britânica sugeriu ontem também que poderá ter encontrado em Lars Løkke Rasmussen, o seu homólogo dinamarquês, um aliado no processo do brexit. Depois do encontro entre os dois líderes, Theresa May referiu que o primeiro-ministro nórdico é um "defensor do comércio livre" e que esse é um assunto no qual os dois países partilham "um acordo firme"..Está previsto que o Reino Unido invoque o artigo 50.º do Tratado de Lisboa até março do próximo ano. A partir desse momento, com a entrada dos papéis para o divórcio, inicia-se uma contagem decrescente de dois anos para que se concretize a separação. Esse prazo só poderá ser alargado por consenso entre os 27 restantes Estados membros..Theresa May tem vindo também a ser pressionada para conceder ao Parlamento britânico a possibilidade de votar sobre a decisão do brexit. Ontem, um porta-voz de Downing Street veio pôr de lado essa possibilidade. "O Parlamento irá debater e escrutinar o processo à medida que formos avançando. Isso é absolutamente necessário e correto. Mas uma segunda votação sobre a vontade expressa dos britânicos não é aceitável", referiu um porta-voz de Theresa May. David Davis reiterou exatamente o mesmo perante os deputados. "O mandato para o Reino Unido sair da União Europeia é claro e inquestionável", referiu o ministro do brexit.