Hillary já trabalha na estratégia contra Trump

O plano de Hillary Clinton já estará em marcha, com a equipa da campanha a preparar discursos e anúncios a atacar Trump
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Em janeiro, Hillary Clinton garantia no Tonight Show, da NBC: Donald Trump "está muito mais obcecado comigo do que eu com ele". Passado um mês e meio, a ex-primeira-dama já não terá tanta certeza. Com o magnata do imobiliário a sair-se como grande vencedor da superterça-feira do lado republicano, Hillary estará já a preparar a estratégia para derrotar Trump nas presidenciais de novembro nos EUA.

É verdade que a última sondagem do instituto ORC para a CNN mostra que tanto Hillary como Sanders derrotariam Trump num duelo pela Casa Branca. A ex-secretária de Estado surge no estudo com 52% das intenções de voto, contra 44% para o milionário (o senador do Vermont lideraria com 55% contra 43%). Mas como num sistema político tão complexo como o americano nada é garantido - muito menos a oito meses das eleições e com as primárias ainda no início -, Hillary já pôs a equipa a trabalhar na grande questão: Como derrotar Trump nas presidenciais?

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Segundo o New York Times (NYT), terá sido Bill Clinton a forçar a mulher a agir já, pouco convencido de que o seu apelo junto dos eleitores negros, hispânicos e entre as mulheres seja suficiente para travar Trump. Para isso, o ex-presidente está convencido de que é preciso uma campanha concertada que retrate Trump como um homem perigoso e intolerante. O jornal garante que o plano já está em marcha, com a equipa de Hillary a preparar discursos e anúncios que mostrem a ex-estrela do reality show The Apprentice como alguém misógino e inimigo da classe trabalhadora.

A mesma ideia surgia ontem no Washington Post, com o jornal a sublinhar que a imigração pode ser um campo de batalha decisivo, com Hillary a privilegiar o caminho para a cidadania e a reunião familiar, em contraste com os muros e deportações prometidos por Trump.

Menosprezar Trump pode ser um erro fatal para os democratas. Se dúvidas houvesse, basta pensar que os rivais republicanos, como Hillary no Tonight Show, também começaram por se rir do milionário de cabelo louro. Mas depressa perceberam que num eleitorado cansado dos candidatos do sistema, a mensagem de Trump tem apelo. Na mesma sondagem da CNN, mas na pergunta sobre quem consideram mais honesto, Trump lidera com 35%, bem à frente dos principais adversários, Ted Cruz (14%) e Marco Rubio (13%).

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Nos últimos dias, os dois senadores não pouparam esforços para roubar votos a Trump nos 11 estados que foram ontem a votos (ao todo são 14, uma vez que as primárias republicanas e democratas não são totalmente coincidentes). Mas, ontem, as sondagens mostravam que dificilmente teriam resultados, uma vez que Trump apenas era derrotado num dos estados a votos: o Texas, onde Ted Cruz, a jogar em casa, devia vencer.

A cautelosa vs. o desbocado

Perante a hipótese cada vez mais forte de ter Trump como adversário em novembro, Hillary não pode deixar que lhe aconteça o mesmo. E espera usar os comentários menos próprios do magnata contra ele. Uma estratégia que nada garante vir a ter sucesso. Afinal, Trump já chamou violadores e traficantes aos mexicanos, propôs proibir os muçulmanos de entrar nos EUA e recusou condenar o apoio de um supremacista branco do Ku Klux Klan sem que isso o prejudicasse nas urnas.

A confirmar-se o duelo, resta ver como a "cautelosa" e "racional" Hillary lida com o "desbocado" Trump, escreveu o NYT. "Hillary construiu um grande petroleiro, mas está prestes a ser atacada por piratas somalis", brincou Matthew Dowd, antigo estratega do ex-presidente George W. Bush, agora independente.

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Para tudo isto, Hillary precisava vencer ontem. E com exceção do Vermont, o estado de Sanders, onde este surgia com 80% das intenções de votos, a ex-primeira-dama devia vencer nos outros. Mesmo no liberal Massachusetts surgia à frente do adversário. O facto de as votações se concentrarem no Sul, dá vantagem a Hillary, graças ao voto negro e hispânico. Mas Sanders, cuja campanha recolheu quase 40 milhões de dólares só em fevereiro, deve manter-se na corrida pelo menos até abril ou maio, quando as primárias voltam a estados mais liberais e com populações mais brancas.

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