Pelo menos 20 mortos em ataque a hotel, jihadistas fazem reféns

Foto do Twitter de Moëz Bhar, fotógrafo da Reuters

Combatentes da Al-Qaeda no Magrebe Islâmico atacaram hotel frequentado por ocidentais.

O diretor do hospital universitário de Ouagadougou, capital do Burkina Faso, disse que há pelo menos 20 mortos do ataque contra o Splendid Hotel, onde um grupo jihadista manteve várias pessoas como reféns. Entre eles estaria um ministro, além de cidadãos estrangeiros. Pelo menos 15 pessoas ficaram feridas.

Três ou quatro atacantes, que segundo testemunhas usavam máscaras, entraram no hotel de quatro estrelas com 148 quartos localizado no bairro financeiro de Ouagadougou, depois de pelo menos dois carros terem explodido no exterior às 19.30 desta sexta-feira. A AFP falava em dez veículos em chamas. Quando as forças de segurança chegaram houve uma intensa troca de tiros.

Rita Katz, diretora do SITE Intelligence Group (que acompanha a atividade online dos grupos jihadistas) anunciou ainda ontem que o ataque foi reivindicado pela Al-Qaeda no Magrebe Islâmico. O responsável será o grupo Al-Mourabitoun.

O hotel é usado por funcionários da ONU e ocidentais. As tropas francesas que participam na operação Barkhane, que combate militantes islamitas na região do Sahel e tem a sua base no Chade, também costumam ficar no hotel.

O café-restaurante Cappuccino, localizado frente ao hotel, também terá sido alvo dos tiros. Ainda antes de ser conhecida a reivindicação, a embaixada francesa falava de "ataque terrorista", tendo instalado um gabinete de crise - 3500 franceses vivem no país.

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Alpha Barry, confirmou à Reuters a existência de mortos, sem especificar quantos. "Sabemos que existem vítimas e reféns. A zona está bloqueada pelas forças da ordem, enquanto se espera pelo assalto para libertar os reféns. De momento, são as forças burquinesas que estão no local, mas não excluímos o apoio de forças estrangeiras, designadamente das forças especiais francesas", estacionadas em permanência nos arredores de Ouagadougou, avançou ontem à noite o ministro que assumiu funções esta semana.

Pelo menos um militar norte-americano estava no local a prestar apoio às forças francesas.

Por volta da 01.30 ouviram-se novamente tiros no local, com o início de uma operação para resgatar os reféns (que ainda não tinha terminado quase uma hora depois), e testemunhas indicavam que parte do hotel estaria em chamas.

As autoridades decretaram o recolher obrigatório entre as 23.00 e as 06.00. O ataque começou às 19.30. Uma testemunha disse à Reuters ter visto os atacantes disparar para o ar, começando uma intensa troca de tiros quando chegaram as forças de segurança.

O ataque será o primeiro na capital do Burkina Faso perpetrado por islamitas, num país em que 60% da população é muçulmana, segundo os dados oficiais do governo.

O ataque ocorre menos de dois meses depois de os jihadistas atacarem o Radisson Blu Hotel em Bamako, capital do Mali, fazendo 20 mortos (14 deles estrangeiros).

Roch Marc Christian Kaboré tomou posse como presidente no mês passado, completando a transição política neste país africano, depois de em outubro de 2014 ter sido derrubado Blaise Compaoré (que estava no poder desde 1987) e de uma tentativa de golpe em setembro.

(Notícia atualizada às 02:30)

Últimas notícias

Recomendadas

Contéudo Patrocinado

Mais popular