EUA saem do Acordo de Paris? "Dont worry, be happy", responde Putin

Presidente russo afirmou que "o que está dito, está dito" e "é preciso pensar como seguir em frente"

O Presidente russo, Vladimir Putin, absteve-se hoje de criticar o seu homólogo dos Estados Unidos, Donald Trump, que abandonou o Acordo de Paris contra as alterações climáticas. Putin disse ainda que "o que está dito, está dito" e "é preciso pensar como seguir em frente" e, de qualquer maneira, "o problema das alterações climáticas deve ser resolvido".

"Eu não julgarei Trump, porque foi o Presidente (Barack) Obama quem tomou estas decisões. Talvez o atual Presidente considere que estas não foram devidamente pensadas. Talvez pense que não existam os recursos necessários", declarou Putin no Fórum Económico Internacional de São Petersburgo.

Putin admitiu que os Estados Unidos poderiam ter optado por modificar as suas obrigações sem sair do tratado, já que este documento é "um acordo-quadro".

"Parece-me que agora não é o momento de fazer muito barulho sobre isso, mas sim criar condições para um trabalho conjunto", disse.

"Dont worry, be happy", "Não se preocupem, sejam felizes" em tradução literal, disse o presidente russo em inglês no final da sua intervenção.

Em resposta à moderadora, a famosa apresentadora norte-americana Megyn Kelly, que pediu uma reação a esta questão e lembrou que os outros líderes europeus criticaram Trump, Putin disse que não estava entre os líderes europeus.

"Pelo menos é isso que eles pensam", acrescentou.

"Aliás, nós devemos ser gratos ao Presidente Trump. Hoje, dizem que inclusivamente nevou em Moscovo. Aqui (em São Petersburgo) está frio e está a chover. Agora podemos sempre culpá-lo (Trump) e ao imperialismo norte-americano, que sempre tem a culpa, mas não vamos fazê-lo", brincou.

Embora ressalvando que não conhece em detalhe as declarações, considera que Trump "não se está a recusar a trabalhar sobre este problema", sublinhou o Presidente russo.

"Se os países que são grandes emissores, como os Estados Unidos, não cooperarem, pode não haver consenso e nem a assinatura de algum acordo nesta área", disse.

O líder russo acrescentou que, "portanto, deve-se presumir que este trabalho deve ser feito de forma construtiva".

Putin lembrou que o Acordo de Paris, ainda não entrou em vigor e não entrará até 2021.

"Então, ainda temos tempo. Se todos nós formos capazes de trabalhar de forma construtiva, poderemos chegar a um acordo", declarou.

A retirada dos Estados Unidos do Acordo de Paris provocará, no pior cenário, um aumento adicional de 0,3 graus centígrados na temperatura global relativamente aos níveis pré-industriais, disse hoje um especialista da Organização Mundial da Meteorologia.

Esta decisão tem sido criticada pela comunidade internacional. Os governos da Alemanha, França e Itália rejeitaram esta quinta-feira qualquer renegociação aos acordos de Paris num comunicado conjunto.

A primeira-ministra do Reino Unido está a ser pressionada para tomar uma atitude mais firma face a Trump, já que este país não assinou o comunicado.

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