Erdogan bloqueia acesso ao WikiLeaks após terem sido divulgados 300 mil emails

Correspondência trocada por membros do partido do presidente turco entre 2010 e 2016 deverá referir-se a assuntos externos, não a questões internas delicadas
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A Turquia decidiu bloquear o acesso ao WikiLeaks, depois de, esta terça-feira, terem sido divulgados 294.548 emails e anexos do Partido da Justiça e Desenvolvimento, ao qual pertence o presidente Recep Tayyip Erdogan.

A correspondência trocada entre 2010 e 6 de julho de 2016 foi, segundo explica a organização, conseguida uma semana antes da tentativa falhada de golpe de estado, mas só agora divulgada em reação às purgas que o executivo turco tem levado a cabo desde essa ocasião. O regulador das telecomunicações turco, entretanto, já aplicou uma "medida administrativa" contra o site, impedindo a sua leitura.

"Verificámos o material e a fonte, que não está ligada, de nenhuma forma, aos elementos responsáveis [por essa tentativa] ou aos partidos políticos e Estados rivais", acrescenta a organização transnacional fundada por Julian Assange dedicada à publicação de informação sensível de empresas e governos.

Os emails disponíveis na base de dados, na qual a pesquisa pode ser feita por termo, nome de anexo e identificação do remetente ou destinatário, estão provavelmente ligados a assuntos externos e não a questões internas sensíveis, confirmou a WikiLeaks.

A Turquia recorre com frequência a este género de medidas para controlar a reação a eventos políticos, o que os defensores dos direitos humanos têm considerado um ataque à liberdade de expressão e dos media, realça a Reuters.

O organismo justifica a decisão com a ilegalidade do método utilizado para a obtenção dos dados tornados públicos (que considera material roubado.)

Nos últimos dias, o mesmo regulador já tinha ordenado o encerramento de 24 estações de rádio e de televisão por não estarem alinhadas com o Governo de Erdogan. 50 mil soldados, agentes da polícia, juízes e professores considerados leais a Fethullah Gülen, clérigo exilado nos Estados Unidos acusado por Ancara de ter fomentado o golpe, foram também suspensos ou detidos. Mais de mil reitores das universidades turcas foram demitidos. Os académicos estão proibidos de viajar.

A interrupção do WikiLeaks entra em vigor algumas horas antes da primeira reunião de Erdogan com os ministros e militares em Ancara, depois da tentativa de golpe de Estado. Está prevista a discussão das políticas a aplicar em resposta a este acontecimento, durante o encontro, relembra o The Guardian.

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