A entrevista, ao programa "Today" da NBC, foi divulgada horas antes daquele que será o último discurso do estado da União de Barack Obama, o qual marcará a entrada no último ano da sua presidência. O presidente democrata falará às 21.00 locais (02.00 da madrugada de quarta-feira em Lisboa)..[artigo:4974821].Naquela estação de televisão, Obama foi questionado relativamente à possibilidade de ver Donald Trump, candidato à nomeação republicana para as presidenciais de 8 de novembro, suceder-lhe, cabendo-lhe a ele fazer o discurso do estado da União em 2017:"Bem, consigo imaginá-lo numa sketch do Saturday Night Live", brincou o presidente norte-americano, referindo-se ao famoso programa de comédia transmitido pela NBC desde 1975. No entanto reconheceu: "Tudo é possível. Não podemos ser complacentes"..Também presente na entrevista, o vice-presidente dos EUA, num registo mais cauteloso, declarou que "é possível" ver Trump ser eleito nas presidenciais, mas indicou que, nesse caso, espera que o republicano trate os assuntos "com mais seriedade". Joe Biden sublinhou: "Ele divide muitas pessoas e isso não é saudável. Obtemos melhores resultados quando nos unimos e agimos como uma só nação"..Na entrevista, gravada na passada segunda-feira, Obama lamentou não ter conseguido cumprir o seu objetivo de unir os norte-americanos e também o facto de entrar no último ano da sua presidência com uma nação profundamente dividida em termos políticos. Mas, mesmo assim, o chefe do Estado dos EUA, democrata, constatou que uma grande maioria dos norte-americanos não se deixa seduzir pela abordagem mais radical de Trump: "Acredito que os norte-americanos vão votar numa política que alimente as nossas esperanças e não os nossos medos, que promova a união e não a divisão das pessoas"..Trump, milionário e ex-apresentador de reality show, de 69 anos, recorre com alguma frequência na sua campanha a um discurso considerado xenófobo e discriminatório. Até agora, ainda as primárias nos partidos não começaram, já o candidato republicano afirmou que se fosse eleito iria deportar todos os imigrantes ilegais do país e sugeriu a proibição da entrada de muçulmanos nos EUA.