Caso Michel Temer (PMDB) perca o mandato de presidente da República, 90,6% dos brasileiros querem resolver a crise política através da realização de eleições diretas, segundo uma sondagem do instituto Paraná Pesquisas, a primeira desde o início da crise política motivada pela delação de Joesley e Wesley Batista, os donos da multinacional JBS, que envolveu, entre outros, o próprio chefe do Estado..Mesmo depois de Temer ter dito que não renuncia, a oposição tem insistido na realização de eleições diretas, ou seja, pelo voto popular, e a cada domingo as principais cidades do país vêm tendo manifestações nesse sentido. Já os aliados do presidente, que aguardam o desfecho dos julgamentos e investigações em que ele está envolvido para confirmar ou retirar o seu apoio ao governo, manobram nos bastidores por eleições indiretas, isto é, a escolha do novo presidente pelo voto dos 594 congressistas. A Constituição brasileira, embora sujeita a interpretações, prevê eleições indiretas quando o cargo fica livre a menos de dois anos do sufrágio seguinte, marcado para outubro de 2018..No caso de haver indiretas, a maioria dos entrevistados - 24,4% - escolhe Joaquim Barbosa, juiz que se destacou no julgamento do escândalo do mensalão, em 2012, como sucessor de Temer. A atual presidente do Supremo Tribunal Federal, Carmen Lúcia, e o presidente do Brasil de 1995 a 2002, Fernando Henrique Cardoso (PSDB), vêm a seguir..Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, que teve acesso à sondagem antes da sua divulgação, Lula da Silva (PT), presidente de 2003 a 2010, continua à frente em todos os cenários de diretas, mas com alta rejeição. No campo do PSDB, o prefeito de São Paulo, João Doria, obtém quase o dobro dos votos do governador do estado, Geraldo Alckmin. O militar na reserva Jair Bolsonaro (PSC) continua em crescendo..Por outro lado, o governo de Temer é desaprovado por 84% dos entrevistados. A gestão em particular do presidente recebe 74,8% das avaliações como "péssima" ou "má" e 17,1% como "regular". Só 6,4% a consideram "ótima" ou "boa"..Quase três quartos dos inquiridos - 73,5% - responderam "não" à pergunta "daria voto de confiança ao presidente se isso fosse garantia de melhoria da economia e queda do desemprego?"..Entretanto, o ex-ministro da Justiça Osmar Serraglio provocou um miniterramoto em Brasília, ao rejeitar o convite de Temer para continuar no governo mas como ministro da Transparência. Com essa recusa, Serraglio volta ao cargo de deputado, que estava a ser ocupado pelo seu suplente Rocha Loures, filmado a levar 500 mil reais numa mala cujo destinatário supostamente era o presidente da República..Sem estatuto de deputado, Loures perde a imunidade parlamentar e com isso pode ser preso, a qualquer momento, pelo juiz da Lava-Jato em primeira instância, Sergio Moro. Uma vez detido, o Planalto teme que Loures assine acordo de delação premiada, incriminando Temer a troco de redução de pena..No dia 18 de maio, Temer foi gravado numa conversa noturna no porão da sua residência oficial com o empresário acusado de corrupção Joesley Batista a dar o aval, segundo o entendimento da polícia, para a compra do silêncio de um ex-aliado preso na Lava-Jato. Na mesma conversa, o presidente da República dizia a Batista que Loures era homem da sua inteira confiança..Em São Paulo