Associação de Bragança promove envelhecimento ativo e estudo comprova benefícios

Uma associação juvenil de Bragança, a Azimute, têm-se dedicado a promover o envelhecimento ativo envolvendo idosos de lares em atividades com benefícios comprovados num estudo académico, revelaram hoje os responsáveis.

A Azimute nasceu há 15 anos e tem dado atenção aos mais velhos com um primeiro projeto que pôs os "mestres" a ensinarem os saberes e tradições de antigamente aos mais novos na "Aldeia Pedagógica da Portela", a pouco quilómetros de Bragança.

No último ano e meio, a Azimute promoveu outro projeto, o "Mais Aldeia Pedagógica", financiado pelo PBI-Senior, que tem levado os mais velhos de quatro lares da cidade até à antiga escola primária da Portela, sede da associação, com "impacto positivo" para os utentes, segundo as conclusões do estudo, que serão apresentadas a 08 de setembro.

Quando começou este projeto, há 15 meses, a Azimute, pediu o apoio da Universidade Católica do Porto, através da Faculdade de Psicologia, para fazerem um estudo que comprovasse se estas atividades iam fazer bem aos idosos ou se não tinham impacto na saúde deles, como contaram à Lusa Mónica Silva e Victor Rosário, colaboradores da associação.

Do que já lhes foi transmitido, nesse "estudo conseguiram comprovar que realmente estas atividades que eles desenvolveram fazem bem ao envelhecimento ativo e inclusive uma das conclusões é que para além das outras atividades que eles faziam no lar, esta foi considerada a que tinha mais impacto no envelhecimento deles".

O financiamento acabou e o projeto terminou em junho, mas a Azimute vai prolonga-lo "por mais alguns meses" a pedido das instituições envolvidas, nomeadamente a Santa Casa da Misericórdia de Bragança, Fundação Betânia, Obra Social Padre Miguel e Centro Social e Paroquial do Santo Condestável.

Lurdes Rodrigues fez parte do grupo de 12 utentes da Misericórdia de Bragança que a Lusa encontrou hoje numa das sessões, na antiga escola Primária da Portela, rodeada de frondosos castanheiros.

Lurdes visitou, pela primeira vez, esta aldeia, e foi "o cheiro a monte e às ervas" a primeira sensação "agradável" que teve ao chegar.

Tinha uma quinta onde trabalhou toda a vida e "gostava de trabalhar.

Para Raul Lopes "esta casa" já é conhecida e "para as pessoas de idade é um alívio".

"Distrai-nos e rende menos o tempo", partilhou com a Lusa.

Desta vez, participaram numa atividade de reciclagem e Raul encontrou graça "o ser tudo em papéis redondos e, no fim, saírem pássaros e flores" trabalhados pelos próprios e que alguns levaram com o destino de ser um presente para alguém querido.

Teresa Teixeira, de 85 anos, também queria voar como os pássaros, ou como dizia a companheira Clementina Reis: "queria botar-se do avião abaixo", num salto de paraquedas que outro utente da Misericórdia de Bragança experimentou, há pouco dias, num festival aéreo.

Para desgosto de Teresa, foi "proibida pelo médico".

"Carinho e mimos" é o que estas pessoas mais apreciam, como têm constatado os colaboradores da Azimute.

"Sentem-se sós, é preciso puxar por eles, ouvi-los, mais do que nós falarmos, eles querem é que nós estejamos a ouvir", enfatizou Victor Rosário.

Além do contacto com a Natureza, as atividades que a Azimute oferece a esta população são fotografia, reciclagem, cianotipia (técnica antiga de fotografia em tons de azul), serigrafia e cosmética com produtos naturais.

Todas as atividades "apelam à motricidade, coordenação psicomotora, foram pensadas para fazer mexer o cérebro e a parte física", realçaram.

O que mais satisfaz os colaboradores é a progressão dos mais velhos ao longo do projeto, como sublinhou Mónica Silva.

"Ao princípio, olhavam para os trabalhos que nós propúnhamos e diziam: nós não somos capazes de fazer, isso é muito difícil. Agora já não dizem isso. Acham que o trabalho parece difícil, mas já sentem que têm capacidades para o desenvolver", concretizou.

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