"Se sou o responsável pelas derrotas também sou pela ida do Nelson Évora"

Bruno de Carvalho e Vicente Moura juntos no primeiro aniversário do gabinete Olímpico dos leões, em fevereiro

Vicente Moura, vice para as modalidades desde 2013, apresentou demissão na sequência das críticas de Bruno de Carvalho e por problemas de saúde. "Ser vice-campeão europeu de futsal é um desastre?", questionou o dirigente ao DN.

Vicente Moura demitiu-se ontem "de forma irrevogável" do cargo de vice-presidente do Sporting para as modalidades em rotura com Bruno de Carvalho. "Demiti-me fundamentalmente por duas razões: saúde e as críticas do presidente às modalidades", explicou ao DN o dirigente máximo das modalidades desde 2013, isto depois de o Sporting ter justificado a sua saída num comunicado apenas com os problemas de saúde.

"Ora bem, quando ontem [quarta-feira] vejo o presidente a fazer uma crítica generalizada às modalidades, que eu pessoalmente acho injusta, acho que isso me põe em causa como dirigente máximo das modalidade, vi que o meu trabalho não é apreciado. E se não é apreciado, não fazia sentido eu continuar a pôr em risco a minha saúde para continuar. Por isso pedi a demissão irrevogável", referiu Vicente Moura ao DN, que deixa funções antes da inauguração do Pavilhão João Rocha (21 de junho).

Mas sentiu que as declarações do presidente o visavam a si? "Claro! As críticas do presidente no Facebook e da forma como foi, depreendem que o meu trabalho não era apreciado e não fazia sentido continuar a prejudicar a minha saúde para nada. Ao criticar as modalidades pôs em causa os atletas, os dirigentes e a mim enquanto responsável máximo. Mas atenção, se sou o responsável pelas derrotas também sou pelas vitórias e pela contratação do Nelson (Évora)", lembrou.

Bruno de Carvalho despediu-se na terça-feira do Facebook com um longo texto, onde criticou duramente a época do Sporting em várias modalidades, entre elas o futsal, cuja equipa perdeu a final da UEFA Futsal Cup por 7-0, frente ao Inter Movistar, de Ricardinho.

"Vejo, em todas as modalidades, um apoio que mais nenhum clube tem no mundo, mas um grau de exigência muito pequeno. A cada mau resultado, e então se torno público o meu desagrado, lá vem a onda de apoio aos "meninos". Nas modalidades, sem ser o futebol, então é confrangedor... perdemos jogos e lá estão as bancadas a aplaudir os "seus meninos" e a acarinhá-los", escreveu Bruno de Carvalho na rede social, sublinhando o esforço da direção para "investir como nunca nas modalidades".

Mas Vicente Moura, de 79 anos, defende que tem "uma visão diferente do presidente", e que por isso vê além do ganhar e perder: "Ser vice-campeão europeu de futsal é considerado um desastre, o que é que faço? Não faço nada. Vou-me embora..."

Contactado pelo DN, com esta versão de Vicente Moura, o Sporting remeteu-se ao silêncio e manteve a versão do comunicado assinado por Jaime Marta Soares: "O presidente da Mesa da Assembleia Geral do Sporting informa que, alegando motivos de saúde, o vice--presidente para as modalidades do clube, José Vicente de Moura, lhe solicitou a dispensa do cargo executivo que desempenhava."

Segundo Vicente Moura, a saúde foi também um dos motivos para abandonar o cargo para o qual foi reeleito em março. "Eu tive um enfarte há cerca de um ano e tenho algumas limitações de saúde. Não posso trabalhar tão intensamente e não posso ter grandes emoções. Mas mesmo assim resolvi acabar o mandato e assumi o compromisso de ir a votos e continuar este mandato, sabendo que o facto de ter 52 modalidades, centenas de atletas e problemas, isso me afetaria a saúde, mas eu por gosto e amor ao clube deixei-me ficar", explicou o agora demissionário vice-presidente.

O "regresso" das modalidades

Vicente Moura nunca escondeu a sua paixão pelo Sporting, onde entrou pela primeira vez em 1995, na presidência de Pedro Santana Lopes. Não se manteve muito tempo pois em 1997 foi novamente nomeado para presidente do Comité Olímpico de Portugal (COP).

Foi, aliás, no COP que começou por destacar-se ao mais alto nível no dirigismo nacional, onde permaneceu até 2013, altura em que foi convidado para voltar ao Sporting, clube que chegou a dizer que sonhava vir a ser presidente. Há quatro anos, contudo, aceitou trabalhar com Bruno de Carvalho, que via o ex-comandante da Marinha como o homem indicado para revolucionar as modalidades do clube.

Nestes quatro anos, Vicente Moura foi fundamental no crescimento das modalidades do clube, onde se destacam o regresso do hóquei em patins e do ciclismo (e o voleibol, na próxima temporada, um assunto em que, sabe o DN, Bruno de Carvalho e Vicente Moura também discordavam). A história do regresso do ciclismo, em 2015, acabou também por marcar a sua etapa em Alvalade, pois pouco tempo depois da quebra de acordo entre leões e a W52 (que acabaria por assinar pelo FC Porto), Vicente Moura sofreria um enfarte.

Bruno de Carvalho assumiu na altura este dossiê e fechou contrato com o Tavira, como homenagem a Vicente Moura. Já esta temporada conseguiu também "roubar" o campeão europeu Nelson Évora ao Benfica, sendo que nestes quatro anos em Alvalade destacam-se também os mais de 25 títulos em atletismo (um deles a Taça dos Campeões femininos em 2016), dois campeonatos de futsal e uma Taça CERS no hóquei em patins (2015), entre outras modalidades.

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