Foi um jogador nuclear no FC Porto na caminhada para o pentacampeonato da década de 90 do século passado e para o título do Sporting, obtido em 2000, que quebrou o jejum de 18 anos. Edmilson Pimenta, ou simplesmente Edmilson, destacava-se pela cabeleira loura que abanava enquanto sprintava pelo relvado, normalmente pelo lado direito, com a bola colada ao pé..Hoje com 45 anos, Edmilson conta ao DN que continua "ligado ao futebol" a procurar jogadores que possa "encaminhar para clubes europeus". Por isso fundou o Espírito Santo Sociedade Desportiva, emblema pelo qual em 2012 voltou a fazer uma perninha aos 40 anos..A praxe que não resultou.A sua carreira em Portugal deveu-se à insistência do empresário Adelson Duarte. "Viu-me jogar numa equipa de Belo Horizonte, o Democrata de Valadares, e insistiu para tentar o Nacional, da Divisão de Honra. Tinha propostas de Cruzeiro e At. Mineiro, mas apostei na carreira em Portugal. Um ano depois salto para a I Divisão e para o Salgueiros, onde fiz muitos amigos, dois já falecidos, como o presidente José Linhares e o roupeiro Manuel Pedrosa. Fiz uma boa época e fui o terceiro melhor marcador, apenas atrás do Hassan e do Marcelo", conta..Depois seguiu-se o FC Porto. "Já tínhamos tudo acertado antes de o campeonato acabar e fiquei a saber que o FC Porto já me seguia desde que eu estava no Nacional. Ainda reuni com Pimenta Machado para ir para o V. Guimarães, mas não conseguimos acertar. Para mim foi bom, dois anos, dois campeonatos e uma Supertaça com um 5-0 em cima do Benfica na Luz. Memorável", descreve entre gargalhadas..Por falar em boa disposição, Edmilson não esquece a praxe que tinha preparada nas Antas: "Colocavam um jogador sentado numa posição e alguém do alto despejava um balde de água , mas eu percebi e corri. Escapei, mas a maioria caía. Eram sempre os mais velhos a tratar dessa partida; o Jorge Couto, o Vítor Baía, o Emerson, que se tornou um dos meus melhores amigos, o José Carlos, o Paulinho Santos, o Folha que era demais.".No seu primeiro ano de FC Porto, Edmilson teve como adjunto José Mourinho. "Não esperava que ele desse esse grande treinador, mas preparou-se muito bem. Brincava muito connosco, mas quando tinha de dar uma reprimenda não hesitava. Uma vez eu vinha de dois jogos abaixo do meu nível e ele avisou-me: "Ed, se você não jogar bem neste jogo, o Robson vai tirar você da equipa." Acabei por fazer três golos ao Sp. Braga e no fim ele vem ter comigo: "Ed, pode ir tomar a sua cervejinha, o Robson já liberou", conta..A passagem de modelos.Dois anos no mesmo balneário dá direito a presenciar histórias proibidas que agora já podem ser contadas devido a prescrição. Edmilson ri-se quando lhe pedimos um episódio: "Nós viemos de uma pré--época e eu e o Fernando Mendes tínhamos ido beber uns copos e assistir a uma passagem de modelos. O António Oliveira [treinador do FC Porto] marcou o treino para as sete da manhã mas nós fomos na mesma. Chegámos a horas, mas ele já sabia de tudo. Fomos punidos, ficámos vários jogos fora, mas depois conversámos e pedimos desculpa ao treinador e ao presidente. Hoje é engraçado, na altura não foi nada.".Seguiu-se o Paris Saint-Germain (PSG). "Esse é o único arrependimento que tenho. Devia ter ficado mais tempo. Tinha um grande contrato e de três anos, mas ao fim de sete, oito meses decidi sair. O Raí, que era o capitão de equipa e meu colega de quarto, disse-me que tinha demorado um ano e meio para se adaptar. Mas eu não tive calma, não percebia a língua e andava desnorteado", salienta. Convidado a dizer quanto tinha ido ganhar para Paris, Edmilson contorna a questão mas dá uma resposta... curiosa: "Era um dos jogadores mais baratos do FC Porto, ganhava razoavelmente mas tinha vindo do Salgueiros. Fui para Paris receber talvez 20 vezes mais do que recebia no FC Porto. Andava perto disso.".E é aqui que surge o Sporting, através de um velho conhecido. "Apareceu o Sporting, onde estava o meu amigo Manuel Pedrosa, que tinha ido do Salgueiros com o Carlos Manuel. Tinha o Flamengo interessado, cheguei a ir ao Brasil negociar, o Deportivo também queria e o FC Porto também apareceu mas já tinha dado a palavra ao Manuel Pedrosa. Se não tivesse dado a palavra talvez tivesse regressado ao FC Porto, o presidente Pinto da Costa ligou-me...", diz o brasileiro que foi um dos obreiros do título leonino de 2000. "Quando cheguei, as coisas estavam um pouco conturbadas, o Carlos Manuel era contestado por alguns jogadores. A estabilidade começou com Augusto Inácio, ele conseguiu gerir um grupo que ficou muito forte com a entrada de André Cruz, Schmeichel, Mpenza, De Franceschi. Não posso esquecer a receção no velhinho Alvalade com 80 mil pessoas à nossa espera", lembra. O que Edmilson não esquece foi um episódio passado em Vidal Pinheiro: "Ganhámos 5-2 e eu fiz três golos. Ao intervalo, quando íamos para o balneário, o Schmeichel estava atrás de mim e o André Cruz à minha frente. Os dois começam a discutir por causa de um golo que sofremos no final da primeira parte em que o André desviou uma bola que o Schmeichel não contava. Entraram no balneário e foi aquela confusão. Para segurar aqueles dois gigantes... foi difícil. Eu estava no meio dos dois, imagine a minha aflição", refere entre gargalhadas.