Iker Casillas enterrou de vez as aspirações portistas

O guarda-redes espanhol, uma contratação de marketing, ficou ligado ao resultado negativo (outra vez... como com o Dínamo Kiev) e o resto da equipa já não conseguiu dar a volta
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O Vitória impôs ontem a segunda derrota no campeonato ao FC Porto, ganhando 1-0 no D. Afonso Henriques em Guimarães, depois de marcar o golo logo aos 4" num enorme erro de Casillas. Na primeira jornada da segunda volta, o FC Porto mostrou que não está preparado para o título, por muitas razões, mas a primeira é porque falta conteúdo a esta equipa.

Há outras razões, como esta novidade de ter despedido o treinador Lopetegui sem ter outro melhor para colocar no seu lugar, o que, numa estrutura altamente profissionalizada, é pouco menos do que estranho. Acresce que contratou um jogador e teve Suk no hotel durante cinco dias para saber se devia ou não assinar contrato... Tudo isto mostra como dentro do campo as coisas estão mal, mas fora estão ainda pior talvez. E pelo que se vai ouvindo, começa a estar em causa o próprio presidente, porque nem ele se salva nesta enorme confusão. Mal ou bem, o FC Porto nunca foi um clube de grande marketing. Casillas foi contratado por marketing, porque, para jogar, Helton chegava e, sobretudo, com o que paga a Casillas o FC Porto deixou de poder contratar outros jogadores. E ontem foi outra vez Casillas - como diante do Dínamo Kiev, por exemplo - a entregar o ouro ao bandido. Casillas não é bom nas bolas por alto, mas isto também é demais. Porque deixou Bouba Saré, à sua frente, marcar. Logo ao quarto minuto.

O FC Porto começara mal - aos 17 segundos, depois de a bola de saída ter pertencido aos dragões, já o Vitória criava perigo. A equipa era a mesma que ganhou 5-0 no Bessa, mas jogou bem pior. O Vitória procurava a surpresa para depois se remeter a defender. Isto ganha-se com pontos, não é com nota artística. Sérgio Conceição, e atrevido sempre foi, colocou a titular o neozelandês Tyler Boyd (não tinha Licá e Otávio, cedidos pelo FC Porto) e Ricardo Valente tentando chegar perto de Henrique Dourado.

O FC Porto foi para a frente, Corona obrigou Miguel Silva a boa defesa, logo a seguir André André acertou no poste (16") mas pouco mais. O Vitória defendia, o FC Porto atacava, mas à Lopetegui, sem encontrar o mapa da mina da reforçada defesa vitoriana. Fica sempre a ideia de uma equipa que joga devagar, que não faz contra-ataques, que não é muito agressiva. Que deixa andar o jogo. Não é isso que se espera do FC Porto mas é isso que existe e quando o adversário marca primeiro é um enorme problema. Como foi ontem outra vez.

[citacao:No campo as coisas estão mal, mas fora parecem estar pior e nem o presidente se salva]

Falta conteúdo a este FC Porto e não é de agora, mas nota-se mais quando a equipa tem que dominar o jogo e meter gente na área. Ontem foi outra vez assim. Primeiro entrou Varela (saiu Corona - e era boa possibilidade para jogar mais na área...) e depois André Silva (saiu Herrera, que não consegue dois bons jogos seguidos...) mas sem dar a ideia de ter força para ultrapassar um adversário que não é propriamente dos melhores. E que não teve mais grande coisa lá na frente, mas defendeu o suficiente para não permitir conforto aos dragões. Danilo trabalha mas precisa de mais lucidez, André André é outro em relação ao início da época, Brahimi não arranca e Aboubakar parece um fantasma. Varela até entrou bem, mas faltou quem o acompanhasse. Faltou também crença porque a equipa não tem jogo para ter crença. E há erros enormes na equipa como as voltinhas de Herrera quando se pretende fazer contra--ataque. A verdade é que a equipa criou poucas chances de golo, enquanto o Vitória se mantinha à tona porque não era preciso sequer muto mais - pelo contrário, eram os portistas que perdiam a cabeça e Sérgio Oliveira entrava e via um amarelo de imediato e Aboubakar via mesmo o segundo amarelo. De resto, num jogo em que o Vitória fez 20 faltas os cartões foram quase todos para os portistas. É a vida.

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