Rui abriu o livro e o trunfo do banco marcou

Vitória com a mão do engenheiro, fabricada por dois suplentes, o improvável Éder e João Moutinho. Mas antes disso foi o homem da baliza a permitir que o sonho perdurasse
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Rui Patrício - 9

Defesas 7
Saídas eficazes 3
Duelos ganhos 3
Salvou tudo que havia para salvar. Começou com uma defesa estupenda a cabeceamento de Griezmann, prosseguiu com uma dupla nega a Sissoko e ainda deteve um remate de Giroud. Pode não ser o melhor guarda-redes europeu, mas foi, com grande margem de certeza, o mais decisivo do Europeu 2016.

José Fonte - 7

Alívios 8
Desarmes 2
Eficácia de passe 93%
Iniciou o jogo com um passe que ia colocando a França em vantagem, mas os 32 anos ajudaram a estabilizar e a perceber como podia reduzir ao máximo o perigo. Sabe que não tem argumentos técnicos para jogar bonito, por isso quando podia metia a bola no quintal e o perigo passava. Formou dupla para a história com Pepe.

Renato Sanches - 6

Recuperações de posse 4
Duelos ganhos 2
Eficácia de passe 86%
Enquanto esteve na direita teve imensos problemas em mostrar o seu futebol. Terminou muito, muito bem a primeira parte na zona central, mas no segundo tempo desapareceu, mesmo procurado pelos colegas. Saiu numa altura em que era preciso experiência. Aos 18 anos é campeão europeu.

Cédric - 8

Cruzamentos eficazes 3
Desarmes 5
Passes para ocasião 2
Que grande jogo do lateral. Com uma concentração exemplar em ações defensivas, que retiravam o discernimento a Payet, já de si perturbado por ter tirado Ronaldo do jogo. Sofreu mais quando Coman entrou na partida, mas nada que o afetasse muito. Fez-lhe bem o lance menos conseguido com a Polónia.

Raphaël Guerreiro - 7

Interceções 6
Remates 2
Desarmes 3
O miúdo é impressionante e nem esteve nos seus melhores dias, talvez tenha sido até a exibição menos conseguida. Apesar de ter metade do tamanho de Sissoko cortou, intercetou e ainda teve um livre à barra pouco antes do golo de Éder. Fez um Europeu irrepreensível, vai ser feliz em Dortmund.

Adrien - 5

Remates 1

Duelos ganhos 3

Eficácia de passe 85%

Uma surpresa pela negativa. Sentiu demasiado o jogo, percebeu-se isso nas suas ações e, principalmente, pelo que a equipa ficou a ganhar com a sua saída. Pareceu temeroso, inseguro, características pouco vistas no seu futebol. Até teve medo de arriscar o remate depois de bem servido por Nani.

Pepe - 7

Alívios 12
Duelos ganhos 6
Bloqueios de remate 3
Não esteve isento de erros, mas depois dos 15 minutos iniciais assentou jogo e foi dividindo a marcação a Giroud com Fonte. Ganhou imensos duelos, impondo a experiência e o estatuto. Aliás, os centrais de Portugal foram os alicerces do êxito, com a nuance de Pepe ser um líder habituado a clube grande.

William Carvalho - 7

Alívios 8
Recuperações
10
Eficácia de passe 92%
O rei do passe longo - deve ter falhado um ou dois no máximo - teve um início para esquecer, mas depois... foi um monstro a cortar, a segurar e a vigiar Griezmann. Revelou-se um muro na zona frontal à baliza de Patrício tentando dar sempre algum critério à construção. Muito bem... até pela maneira como se recompôs.

João Mário - 6

Recuperações de posse 11
Alívios 4
Variável 88%
Um ou outro rasgo, sentindo-se mais à vontade quando passou para o eixo central. Tentou, e apenas isso, impor o seu futebol mais burilado, mas este não era o seu Europeu. Começou e terminou o torneio cansado, mas nunca perdeu o empenho nem receou qualquer adversário nesta final memorável.

Cristiano Ronaldo - 5

Duelos disputados 4
Duelos ganhos 2
Faltas sofridas 1

Um dos jogos da sua vida durou oito minutos, os restantes 15 foi a tentar o impossível - permanecer em campo - após Payet ter feito aquela entrada dura. Depois do que aconteceu em 1998 está provado que Saint-Dennis não gosta de Ronaldos. Mereceu levantar a taça, ele mais do que qualquer um.

Ricardo Quaresma - 6

Passes para ocasião 1
Remates enquadrados 1
Eficácia de passe 82%
Entrou para o lugar de Ronaldo e ainda fez Fernando Santos enervar-se com o seu deficiente posicionamento defensivo. Entrou para a ala, pôs em sentido Sagna mas faltou aquele golpe de asa, aquela trivela ou o remate repentino que esperamos sempre que Quaresma entra.

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Nani - 7

Remates 2
Dribles eficazes 5
Duelos ganhos 11
Uma exibição boa e de sacrifício do futebolista que melhor soube interpretar a tese de Fernando Santos; primeiro jogar futebol, depois à bola. Sem Ronaldo ficou sozinho na frente mas foi depois de ir para a ala, com a entrada de Éder, que criou mais desequilíbrios. E foi aí que ia marcando com um centro/remate aos (80").

João Moutinho - 8

Passes para ocasião 2

Duelos ganhos 5

Eficácia de passe 85%

As coisas, as pessoas, os jogadores, só são bons ou maus em termos comparativos. Na semelhança com Adrien, o médio do Mónaco foi francamente melhor. Não demos conta de Moutinho ter falhado um passe, mas notámos, isso sim, que foi ele a fazer o passe para o golo de Éder. E isso fica eternizado.

Éder - 9

Remates - 2
Duelos disputados - 12
Passes - 17
Duelos ganhos - 9
Faltas sofridas - 5
Duelos aéreos ganhos - 3

Escreveu história no futebol português com o golo que permite a Portugal inscrever o seu nome como vencedor de uma grande competição de seleções. Éder entrou muito bem, pareceu aquela peça que faltava no puzzle, pois Portugal precisava de uma referência no ataque que disputasse (e ganhasse) bolas de cabeça, encostasse o corpo e atemorizasse os vulgares centrais franceses. Mas Éder ainda fez mais: segurou a bola, ganhou faltas (e minutos) e deu grande dimensão ao ataque português. Mas não sejamos hipócritas, isto tudo não vale rigorosamente nada perto do golo mais importante da história do futebol português, apontado por um jogador mal-amado (o patinho feio da seleção, como lhe chamaram), assobiado pelos próprios portugueses e que, possivelmente, teve a sorte de a convocatória para este Europeu ter saído uma semana antes da final da Taça de Portugal e dos dois golos do dragão André Silva. Aos 28 anos entrou para a história do futebol português e fez rebentar a festa em Portugal e no seu país de origem, a Guiné-Bissau. Agora façam-lhe uma estátua e deem-lhe um nome de rua. Menos do que isso será pouco.

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Os franceses

Sissoko foi a gazua e Payet o lado mau da final

A seleção francesa perdeu pela primeira vez uma competição que organizou, mas fez muito para que a sorte lhe sorrisse sobretudo através de Moussa Sissoko, que foi uma autêntica gazua e um poço de força que transportou a equipa francesa para a frente durante os 90 minutos, tendo sido bem acompanhado por outra força da natureza, Matuidi. Foi o jogador que a defesa e o meio-campo português mais dificuldades tiveram em parar e aquele que alimentou mais o ataque, sobretudo porque Paul Pogba, o grande talento da equipa, abusou várias vezes no transporte de bola para o ataque, não encontrando o tempo exato de passe, algo que irritou várias vezes Deschamps.

Na frente Giroud acabou por ser uma presa fácil de marcar e isso notou-se quando foi substituído por Gignac, um avançado bem mais móvel e versátil que esteve à beira de marcar com um remate ao poste. A outra grande estrela desta equipa francesa, Antoine Griezmann, o melhor marcador do Euro 2016, foi um trabalhador incansável, tantas as vezes que veio atrás procurar a bola, face à defesa compacta de Portugal. Foi dele uma das melhores ocasiões dos franceses, com uma cabeçada que obrigou Rui Patrício a voar para defender.

Mas se há um jogador que merece todas as críticas neste jogo é Dimitri Payet, que iniciou bem o Europeu, mas que passou ao lado da final, tendo ainda ficado ligado ao lance que afastou Ronaldo do jogo. O jogador do West Ham foi a face negra dos franceses, que tiveram um Hugo Lloris sempre atento e que nada podia fazer no lance do golo e uma defesa em que os centrais Umtiti e Koscielny revelaram grandes dificuldades nos lances pelo ar. Uma palavra ainda para o menino Coman, que entrou aos 58 minutos e deu mais alegria ao jogo francês... não chegou.

Com Carlos Nogueira

Diário de Notícias
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