O apito final do árbitro Jorge Sousa fez rebentar a festa no Estádio da Luz um pouco por todo o país e em algumas partes do mundo. Em Lisboa, a Praça Marquês de Pombal passou a ser o local mais procurado pelos adeptos do Benfica. A equipa de Rui Vitória vencia o V. Guimarães por 5-0 e cumpria um sonho antigo: o tetracampeonato, algo que Eusébio, Coluna, Simões, José Augusto, Nené, Toni, Chalana, Humberto Coelho e outros falharam. Foram cinco vezes a morrer na praia - 1939, 1966, 1970, 1974 e 1978 -, mas à sexta foi de vez.."O nosso rei merece todas as homenagens. Todas as vezes que chega o minuto 72, quando gritam por Eusébio, sentimos uma energia extra. Temos de o homenagear por tudo o que fez. E ele estará muito orgulhoso lá em cima a ver esta maravilha", disse o capitão Luisão no auge das celebrações..No relvado e nas bancadas, um mar vermelho abraçou-se, lágrimas correram pelas faces dos mais velhos que aguardaram tantos anos por aquele momento. O cântico de "Campeões! Campeões!" foi então interrompido pelo célebre Bailando, a popular música de Enrique Iglésias, que colocou jogadores e adeptos a dançar, ou não fosse uma canção que se tornou quase um hino entre os benfiquistas nos últimos dois anos. Das bancadas caiu uma tarja que sinalizava o momento histórico: Habemos tetra. E nessa tela estavam em destaque os cinco que participaram nas quatro conquistas: Luisão, Jardel, André Almeida, Fejsa e Salvio. Eram momentos de alegria contagiante, que apenas passavam ao lado de jogadores e adeptos do V. Guimarães que deixaram a Luz sem se dar por eles..Os tetracampeões foram então para o balneário, onde o presidente Luís Filipe Vieira, com um sorriso de orelha a orelha, os esperava. Entre uns goles de cerveja e gritos de "campeões", tudo filmado pela BTV, alguém perguntou ao líder encarnado: "Então e o prémio?" A resposta não se fez esperar: "Amanhã ou depois está o dinheirinho na conta." No auge da euforia, surgiu a grande surpresa de Eliseu, que entrou no balneário numa moto - uma Vespa - enfeitada com o número 36 e a palavra tetra. O campeão europeu começou por fazer as primeiras demonstrações de perícia, logo ali... era o ensaio para a volta olímpica no relvado..Proença vaiado e "o pai do tetra".O momento por que todos ansiavam chegou depois. O fogo-de-artifício assinalava que iam entrar para o palco os heróis do tetra, um a um, por ordem do número da camisola. Antes disso, a grande vaia da noite a Pedro Proença, presidente da Liga, que subiu ao palco na companhia de Miguel Almeida, da NOS, para entregar a taça. Os assobios só pararam quando Ederson foi chamado... um a um, os jogadores do Benfica foram entrando. Para o fim ficou Luisão, que se virou para as bancadas beijando a águia que trazia ao peito, afinal acabava de conquistar o seu 18.º troféu pelo clube onde chegou em 2003..O speaker anunciou depois Rui Vitória e logo a seguir "o pai do tetra"... Luís Filipe Vieira, presidente do Benfica, a quem coube receber a taça das mãos de Proença e depois entregá-la a Luisão. Foi a apoteose quando o capitão ergueu o 36.º troféu de campeão nacional dos encarnados. O fogo-de-artifício e, outra vez, o Bailando que substituía o tradicional We are the Champions, dos Queen, que só se ouviu depois. Enquanto os jogadores celebravam no palco, Vieira tentava abandonar o local sem que ninguém desse por isso... mas Pietra, antigo futebolista e atual adjunto de Rui Vitória, não o deixou. Levantou os braços, abraçou-o e fez que o presidente ficasse perto dos jogadores. "Estamos felizes. É o Benfica que está a fazer história, não sou eu. Se havia alguém que queria ganhar era este grupo. Deram a maior alegria a mim e a todos os benfiquistas espalhados pelo mundo", disse o presidente benfiquista, distribuindo os louros de mais um sucesso..Já os adeptos deixavam as bancadas rumo ao Marquês, quando as famílias dos jogadores se juntaram à festa no relvado, onde o ex-sportinguista Carrillo era um estreante. "Foi a melhor decisão que tomei na minha vida. Sinto-me realizado, supercontente por ter vindo para o Benfica. Este ano está quase a acabar e o próximo será melhor. Rumo ao penta", atirou o peruano, que apreendeu bem os cânticos dos adeptos que pediram "o 37" durante a noite..Houve ainda a oportunidade de Eliseu mostrar as suas habilidades de motociclista, de Paulo Lopes fazer a tradicional escalada à barra com a taça e de Nélson Semedo lembrar dois campeões ausentes - José Gomes, que está ao serviço da seleção sub-20, no Japão, e Gonçalo Guedes, agora no PSG, a quem mandou uma mensagem especial: "Guiducho um abraço, este título também é teu." Era o mote para seguirem todos para o Marquês de Pombal, onde a festa prosseguiu até de madrugada com mais de 200 mil adeptos. Os jogadores do Benfica demoraram mais de uma hora da Luz ao local dos festejos (chegaram cerca da meia-noite e meia), num autocarro panorâmico. E as comemorações terminaram num palco montado para o efeito em pleno Marquês de Pombal.