Ennio Morricone: Finalmente o Óscar, 500 bandas sonoras depois

Morricone recebeu um Óscar honorário em 2007, mas o compositor de 87 anos ganhou finalmente o prémio pelo seu trabalho em Os Oito Odiados

É de Leonardo DiCaprio que mais se fala como o galardoado da noite de domingo que há muito esperava um Óscar, após seis nomeações (uma delas enquanto produtor de O Lobo de Wall Street). Mas Ennio Morricone, compositor de 87 anos que escreveu a música inconfundível dos spaghetti westerns dos anos 1960 e 70, recebeu ontem o seu primeiro Óscar competitivo pela banda sonora original de Os Oito Odiados, de Quentin Tarantino, após várias nomeações e mesmo um prémio honorário.

Se já assobiou o tema de O Bom, o Mau e o Vilão, de Sergio Leone, então conhece de cor pelo menos uma composição de Morricone, que deu vida, na pauta, aos filmes de Leone e de Sergio Corbucci. A banda sonora de O Bom, o Mau e o Vilão está mesmo no Grammy Hall of Fame e chegou ao número quatro no top dos discos mais vendidos nos Estados Unidos.

Mas Morricone "está longe de ser um músico "especializado" nas aventuras do Oeste", como sublinhou o crítico João Lopes. "Não podia ser de outro modo, sobretudo se nos lembrarmos que qualquer registo da sua carreira refere mais de 500 autorias de bandas sonoras de filmes e produções televisivas".

O compositor escreveu para Giuseppe Tornatore, incluindo Cinema Paradiso, trabalhou com Bernardo Bertolucci e Mauro Bolognini. Escreveu para Brian de Palma em Intocáveis e Missão a Marte e para Roman Polanski em Frantic, mas foi finalmente com Quentin Tarantino que recebeu o galardão da Academia pela sua banda sonora. Morricone subiu ao palco acompanhado por um intérprete e agradeceu em italiano o "prestigiado reconhecimento", e deixou uma palavra de reconhecimento ao compositor John Williams, que estava também nomeado. Dedicou o prémio à mulher.

Quentin Tarantino já usara música de Morricone antes, mas foi a primeira vez que um filme do realizador teve direito a banda sonora completa daquele que considera o seu compositor favorito. "Compositor preferido de cinema? Nada disso", escreve João Lopes. "Ao receber o Globo de Ouro que Morricone ganhou com a música de Os Oito Odiados, o realizador fez questão em sublinhar que não estava a falar do "gueto" do cinema, mas sim de uma classe à parte a que pertencem também "Mozart, Beethoven e Schubert"."

Morricone tinha vencido um Óscar honorário em 2007. Juntamente com Alex North, é um dos dois únicos compositores a alguma vez receber este prémio, criado em 1948 pela Academia para honrar contribuições para o mundo do cinema que não tenham sido visadas por mais nenhum galardão.

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