Para beber o "café do café" em casa. A máquina com argumentos para o fazer esquecer as cápsulas

The Bambino, da Sage, é uma máquina de café doméstica que consegue reproduzir o café expresso das máquinas profissionais com elevado nível de qualidade, ocupando espaço. Mas claro que perde um pouco da conveniência das soluções do pó encapsulado.

Vivemos maioritariamente num mundo em que na luta entre a qualidade e a conveniência, se um deles tem de perder, é a primeira que sai derrotada. Sobretudo nos bens de grande consumo, entre os que são facilmente obteníveis ainda que descartáveis ou os sucedâneos duráveis, mas um pouco mais caros, os primeiros por norma saem vencedores no mercado.

Exemplo disso mesmo aconteceu, no final do século passado, com o áudio, quando redes de distribuição ilegal de ficheiros, como o Napster, e métodos de compactação de dados, como o mp3, permitiram transferir música facilmente pela internet. Apesar da má qualidade do som destes arquivos -- comparativamente com o já não muito bom CD de onde era extraído --, milhões de pessoas habituaram o seu ouvido a um tipo de sonoridade de tal forma "comprimida" que, quando a Apple demonstrou ser possível, com o ecossistema iPod/iTunes, vender música digital legalmente, ofereceu uma qualidade inferior à dos discos compactos (ainda que anunciando ser equivalente) e a maioria nem deu por isso.

Foi preciso esperar quase duas décadas para que um número crescente de pessoas começasse a perceber que aquilo que ouvia não podia ser o "som digital perfeito, para sempre", como no início dos anos 80 era anunciado o CD. Pelo contrário, a conveniência e a internet fez, neste sentido, a sociedade andar pelo menos 20 anos para trás.

E o que é que isto tem a ver com café? Tudo.

O que mais me atrai? A inconveniência

Há um meme que circula na internet há anos entre os amantes de música: dois amigos conversam no que é nitidamente a sala de audições de um deles (com prateleiras cheias de discos!) e um diz para o outro: "As duas coisas que mais me atraíram para o vinil foi o preço alto e a inconveniência".

A piada é fácil, mas exata. Os discos de vinil são tudo menos convenientes. E para ouvi-los bem é necessário gastar algum dinheiro. Mas feito o investimento, o prazer deles retirado é, em muitos aspetos, incomparável.

O mesmo acontece com o café tirado in The Bambino, da Sage -- sim, havíamos de cá chegar. Tal como com o vinil, ela exige algum trabalho. Tal como um gira-discos, fazer aqui um café é mais um ritual com vários passos do que simplesmente pôr uma playlist, perdão, uma cápsula dentro da máquina e carregar no botão. Mas tal como acontece com a audição de um disco bem impresso num sistema de boa qualidade, o produto final é capaz de provocar sensações de prazer dificilmente conseguidas noutros formatos.

Debaixo do capô, tecnologia patenteada

Falemos de técnica. A The Bambino tem um sistema Thermojet, registado, que em apenas três segundos eleva a temperatura da água aos 93º Célsius, considerada ideal para a extração do café. Depois, a bomba extrai a mesma com uma pressão de 9 bar e fá-la passar pela moagem.

Aqui reside uma falha desta proposta da Sage: não inclui um moinho. Esse tem mesmo de ser fornecido pelo proprietário. Mas também não se pode pedir tudo de um produto que tem um preço de venda no site da marca 10 cêntimos abaixo dos 300 euros.

É que, de resto, a The Bambino inclui filtro no reservatório da água, filtros de café diferenciados consoante este tenha sido torrado há mais ou menos de três meses (verifique na embalagem, pf.), e bico de vapor para aquecer o leite. A máquina inclui ainda um bonito púcaro em aço inox, o que é muito bem-vindo.

O ritual. Não demora assim tanto

Tal como o tempo de pôr um disco de vinil a tocar -- mesmo contando com o gasto a limpar o pó do mesmo e da agulha -- não é na realidade assim tanto, fazer um ou dois cafés em simultâneo na The Bambino também é num instantinho. A partir do momento em que o café esteja moído....

O recipiente do café da máquina recebe 18 a 22 gramas de pó (consoante esteja com o filtro para uma ou duas chávenas). Depois, é só comprimir levemente com o acessório fornecido. Este tem a forma certa para se perceber instintivamente de que maneira deve encaixar (se o topo ficar à face do rebordo do recipiente do café é bom sinal).

Para tirar o café basta premir o botão de uma ou duas chávenas, consoante o pretendido, e a máquina até para sozinha -- se acha que a quantidade é pouca, pode reprogramá-la para encher um pouco mais: foi o que fizemos, porque não gostamos de "cafés curtos"...

O líquido sai com a textura quase de mel. É o que a Sage anuncia no manual. E não estão a mentir. O que traz à memória a frase do filósofo da Antiguidade Xenófanes:: "Se deus não tivesse feito o mel, eu diria que os figos eram bem mais doces". De facto, a maioria do café em cápsulas era docinho q.b. até experimentar o saído desta The Bambino.

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