Os telemóveis dobráveis entram numa nova geração. Os preços é que não...

Samsung renova gama de telemóveis de ecrã dobrável com os Galaxy Z Flip4 e Z Fold4. Estão (ainda) mais apetitosos, mas o suficiente para atrair mais público para este nicho?

Uma das previsões tecnológicas de várias publicações no final de 2021 (incluindo do DN)*: este seria o ano em que os telefones dobráveis começariam, finalmente, a tornar-se mainstream.

A lógica por trás deste raciocínio assentava em dois pilares. Por um lado, estes aparelhos deveriam, seguindo o curso normal da tecnologia, ficar este ano mais baratos. Por outro, este seria o ano em que o mercado deveria ser inundado de vários aparelhos concorrentes, o que levaria a um significativo "empurrão" por parte da oferta. E já lá diz o ditado americano, "cria-os e eles (os compradores) virão!"

Só que... Ainda que de facto venham aí novos modelos dobráveis, para já apenas são conhecidos dois, um deles virá apenas no final do ano e ambos só para o oriente. Já voltaremos a este assunto.

Entre as distorções económicas provocadas pela guerra na Ucrânia, a consequente crise inflacionista, a permanente escassez dos chips, a instabilidade do mercado oriental, as tensões políticas na Ásia, com o inevitável aumento do custo de produção e transporte que tudo isto acarreta... toda a ideia de que "a tecnologia de topo fica mais barata de ano para ano" deixa de funcionar. O mundo já não é, mesmo, o que era.

Flip or Fold? Samsung diz o primeiro

Com tudo isto, a Samsung continua a ser a marca que ganha neste segmento por ter sido a primeira a arrancar com modelos de grande consumo. Os modelos Flip e Fold, que na semana passada foram apresentados na quarta geração, vieram provar que existe, pelo menos, um nicho de mercado para este tipo de aparelhos.

Segundo revelou a própria marca sul-coreana, "no ano passado exportámos quase 10 milhões de telefones dobráveis para todo o mundo. É um crescimento neste setor de quase 300% relativamente a 2020".

As palavras são de TM Roh, o diretor do Mobile da empresa, que concretizou: entre o modelo Fold - em que o telefone se transforma num pequeno tablet - e o Flip, que se assemelha a um velhinho telefone "concha", só que com um ecrã vertical completo, 70% das vendas do segmento foram para este último. Os clássicos decididamente nunca morrem.

Flip4. A personalização tenta fazer a diferença

Assim de repente, o Samsung Galaxy Z Flip4 (nome completo) parece que inova pouco relativamente ao seu antecessor. O tamanho do chassis e dos ecrãs é o mesmo e o peso da geração anterior até é um pouco menor (na mão, não se sente). A diferença prende-se com o facto de o 4 ter uma bateria de 3700 mAh, contra os 3300 do "irmão", além de que o alumínio do novo é um pouco mais robusto, para aguentar melhor os impactos.

Ambos são à prova de água (IPX8, podendo ser mergulhados até 1,5m de profundidade), pelo que nem aqui fará a diferença. Tendo em conta que, com o lançamento da nova geração, a anterior baixa inevitavelmente de preço (está a menos de 830 euros na versão base na Worten, e pode descer mais), esta pode até ser uma excelente oportunidade para saltar para este comboio dos dobráveis. Até porque a versão base do Flip4 (128GB de armazenamento, 8GB de RAM) tem um preço tabela de 1150 euros.

No entanto, se é daquelas pessoas que tem MESMO de ter o último modelo; ou o dinheiro não lhe faz assim tanta diferença; ou está em condições de poupar usando a campanha de retomas da própria Samsung (os descontos chegam aos 719 euros), saiba que o novo modelo, além de ter (obviamente!) um processador mais potente, de última geração, ainda lhe permite personalizar o ecrã exterior com imagens animadas (gifs) ou vídeos e o ecrã exterior funciona mais facilmente como viewfinder para tirar selfies (o software foi melhorado, de forma a que as fotos não apareçam distorcidas e sempre bem enquadradas).

De resto, a câmara grande angular tem um chip melhorado no Flip4, o que permite captar mais detalhe nas cenas noturnas. E pouco mais.

Quer inovação? Olhe bem para o Fold

Como muitas vezes (quase sempre?!) acontece, o modelo menos procurado pela maioria das pessoas acaba por ser aquele que mais inova. O Fold4 surge no mercado basicamente com o mesmo preço do seu antecessor (uns avultados 1860 euros), mas é o que de facto mais evolui relativamente à terceira geração.

Poderia mesmo dizer-se que com esta máquina a Samsung conseguiu dar um enorme passo a quebrar a barreira entre o telefone e o tablet, não continuasse o aparelho a ser tão espesso quando está dobrado (14 a quase 16mm).

Isto porque o ecrã exterior cresceu. Com o Fold4 na mão, fechado, a experiência de utilização é bem mais semelhante à de um telemóvel normal - o 3 era mais estreito e "alto", que dava menos jeito.

Quando aberto, o Fold mantém o formato mais quadrado do que é habitual num tablet, mas uma vez que a Samsung incluiu agora uma nova barra de tarefas no fundo (olá Windows?), esta de certa forma compensa, em termos visuais, a proporção "quadradona".

Outra das coisas que foi (muito) melhorada foi a presença da câmara interior, sob o ecrã, que no 3 (tal como escrevemos então) não conseguia esconder a sua presença. Agora, de facto, (quase...) não se nota.

Ainda no que toca a câmaras, a Samsung equipou a exterior desta máquina com um sensor de 50 megapíxeis (além das lentes que já existiam na geração anterior). E por muita "magia" que o software seja capaz de fazer, nada bate a capacidade de um chip de captar muita informação!

De resto, o telefone/tablet vem com um processador Snapdragon 8+ Gen1, e o modelo de base traz 256 GB de armazenamento e 12 GB de RAM. Isto sim, é um verdadeiro computador de bolso. Se o dinheiro não é de todo um problema para si e a potência é um must, não vá mais longe!

A concorrência (há de) chegar

Como referimos, vêm aí mais modelos dobráveis. Mas, para já, só para o oriente. Anunciado também na semana passada - não por coincidência, na mesma altura que os Samsung - foi o Xiaomi MIX Fold 2, um telefone com um formato semelhante ao Galaxy Fold, mas que se anuncia como o dobrável mais "ultrafino" do mercado, com 5,4 mm de espessura quando desdobrado (o Galaxy tem uma espessura de 6,3 mm). Esta oferta da marca chinesa vem equipada com o mesmo processador da Qualcomm topo de gama e as câmaras beneficiam da parceria com a prestigiada marca alemã Leica.

A série Mix Fold, no entanto, continua a ser vendida exclusivamente no oriente, sem que haja qualquer previsão de comercialização para Portugal, segundo o representante oficial.

Também se prevê que a Huawei venha a lançar um modelo do mesmo género, designado Mate X3. A data de lançamento não está oficialmente anunciada, mas aponta-se para final de novembro. No entanto, o extenso mercado indiano será o preferido.

Não, 2022 não será o ano em que os dobráveis deixam de ser objetos de nicho ou símbolos de elevado poder de compra. E talvez nunca, na realidade, deixem de o ser - afinal, o formato tradicional do smartphone sobrevive praticamente inalterado há mais de uma década.

Mas este tipo de tecnologia veio para ficar e está definitivamente cada vez melhor. O Fold4 é prova disso. E o Flip3 já era tão bem conseguido, para o género, que nesta quarta geração, a Samsung quase não mudou nada. A "bola", essa, está agora do lado da concorrência.

*Ao contrário da grande maioria da concorrência, quando nos enganamos (e damos por isso...) corrigimos; quando dizemos disparates, pedimos desculpas.

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