Novos computadores Microsoft a voltam subir a fasquia nos Windows PC

Do topo de gama Surface Laptop Studio ao (aparentemente) modesto Surface Go 3, a empresa de Redmond renovou a sua linha de hardware com propostas inovadoras ou, no mínimo, apelativas. E assim fixou novos padrões de um mercado que ela própria criou -- dificultando a vida à concorrência.

A Microsoft lançou a linha de computadores Surface para demonstrar ao mercado que é possível criar novos formatos de hardware à volta do tradicional PC. Conseguiu-o, ao conceber um "form factor" híbrido tablet/laptop, com teclado destacável, que viria a dar no bem-sucedido Surface Pro e que acabou por ser copiado pelos outros fabricantes.

O que não tem mal nenhum -- era mesmo essa a intenção. Aliás, a própria Mirosoft copiou a concorrência quando lançou o primeiro Surface Laptop, um ultrabook que diferia essencialmente dos outros portáteis leves do mercado por ter a parte do teclado revestida a alcãntara (um tipo de tecido).

Esta quarta-feira, foi o momento de mais uma apresentação de hardware. O Surface Pro chegou à oitava geração (ler abaixo), mas nem foi este o mais surpreendente.

Um Frankenstein na mala

A nova máquina mais poderosa da família Microsoft é o Surface Laptop Studio, que substitui o Book 3. Ao contrário do antecessor, o ecrã não é destacável. A Microsoft desenvolveu uma solução diferente -- ainda que não totalmente original (a Lenovo, por exemplo, tem designs parecidos).

Desenvolvido a partir de uma ideia com três anos, o projeto era internamente conhecido como Frankenstein, segundo a CNN,. Percebe-se porquê. Com a fase final de produção a cair já na pandemia e confinamento, os engenheiros estavam todos em casa e o protótipo acabou por ser "montado" com peças de outros Surfaces coladas com fita-cola. Mas resultou.

O notebook é uma máquina grande, com ecrã de 14,4 polegadas (2400x1600 píxeis, 120Hz, Dolby Vision) que tem uma dobradiça a meio, na parte de trás.

O resultado desta solução é que permite colocar o display em três posições: como um laptop normal; aberto fazendo tenda sobre o teclado (ideal para ver um filme ou jogar um jogo); totalmente na horizontal, para ficar como um estirador. Esta é, aliás, a posição ideal para usar a nova caneta Slim Pen 2, que também foi renovada -- está mais sensível e tem feedback tátil.

No interior, o computador vem com processador Intel H35 i5 ou H35 i7 de 11.ª geração, sendo estes últimos ainda dotados de placa gráfica Nvidia RTX 3050 Ti com 4GB de VRAM. O preço do modelo inicial deverá rondar os 2000 euros e estará disponível "no início de 2022", diz a Microsoft Portugal no seu site.

Do outro lado do espetro

O Surface Go é, provavelmente, o tablet 2-em-1 Windows mais vocacionado para estudantes -- e que melhor cumpre essa função de toda a oferta no mercado. Na geração agora apresentada, que ganhou margens no ecrã mais pequenas, o modelo-base passa a vir com um processador Pentium Gold 6500Y, que a Microsoft promete ser 60% mais rápido do que aquele que equipava o Go 2. A pequena máquina ficou assim ainda mais indicada como companheira de carteira. Já pode configurar a melhor solução para si no site da Microsoft, com preço desde 450 euros, mas com entrega só a partir de 5 de outubro.

O Surface Pro 8 "aprendeu" com o Pro X

Um ecrã um pouco maior (passa das 12,3" para as 13 polegadas), cantos arredondados, espaço sobre o teclado para arrumar a caneta, duas portas USB-C Thunderbolt... Olhar para o novo Surface Pro 8, que ganhou o maior redesign em seis ou sete anos, é ver como a Microsoft percebeu que tinha uma fórmula vencedora na linha Pro X (os modelos com processador ARM, em vez de Intel) e encontrou forma de aplicá-la aos "irmãos" mais velhos.

Isto apesar de a maioria dos processadores Intel exigirem arrefecimento por ventoinha, o que era aparentemente a razão para manter os Surface Pro no design mais estilo "caixa" que tinham até agora. Claro que o facto de se ter (finalmente) abandonado de vez a entrada USB-A ajuda a se possa reduzir a espessura do aparelho.

Este Pro 8 é ainda compatível com a nova caneta, a referida Slim Pen 2. Além disso, passa a suportar também a linha de teclados do próprio Pro X -- os que têm espaço para arrumar a mesma (e a carregam automaticamente).

A nova linha estará disponível em variantes com Intel i5 ou i7 de 11.ª geração, a partir do "início de 2022", volta a dizer o site da Microsoft Portugal. Ou seja, três meses depois de estar disponível nos EUA.

Para quem gosta da ideia de um PC 2-em-1, e até hoje tinha dúvidas em "embarcar" na linha Surface, com o Pro 8 é bem capaz de ser o momento de avançar. Ou, no mínimo, de pensar nisso seriamente.

E o que não vamos ver

Houve mais duas máquinas apresentadas esta quarta-feira que dificilmente veremos em Portugal. Uma foi uma variante do Surface Pro X (com processador ARM) que, para ficar 100 dólares mais barato, a Microsoft retirou-lhe a ligação à internet por 4G -- passa a ter apenas wi-fi. De resto, é idêntica ao atual modelo.

O outro hardware é bem mais interessante, ainda que de nicho: o Surface Duo 2. O telemóvel/tablet dobrável de dois ecrãs, cuja primeira geração, apesar de ter sido comercializada (além de nos EUA) em alguns países escolhidos da Europa -- como o DN noticiou --, nunca viu a luz do dia em Portugal.

Esta segunda versão ganhou ecrãs um pouco maiores -- agora são de 5,8 polegadas cada um --, suporte para 5G, câmara de três objetivas e um miniecrã junto à dobradiça que dá informações, como as horas, mesmo com o aparelho fechado.

Continua a não haver nada como ele no mercado. E, tal como o antecessor, deverá continuar ausente das lojas oficias no nosso país. Em parte porque, cremos nós, tendo em conta o preço de lançamento (1500 dólares) ficaria com um PVP -- incluindo impostos -- a rondar os 2000 euros...

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