Kia EV6 GT: tão rápido como um Porsche

A eletrificação tem destas coisas: uma marca como a Kia pode bater-se com a Porsche. A versão GT do EV6 elétrico tem 585 cv e acelera dos 0 aos 100 km/h em 3,5 segundos, tão rápido como um Taycan. Mas não foi só isso que aprendi no primeiro teste ao mais potente Kia de sempre...

Nunca o acesso à potência foi tão fácil como é com os carros elétricos. Basta fazer a combinação certa de motores e bateria para se conseguir acelerações dignas de supercarros de há poucos anos. Ao contrário do que acontecia com os muito mais complexos motores de combustão, que exigem experiência e alguma arte.

Com o EV6 GT a Kia não quis fazer um desportivo puro e duro, mas antes um superGT, que soma performance sem subtrair nada numa utilização normal. Para lá chegar, foram precisas algumas alterações ao EV6 de base, feitas sobre a plataforma partilhada com o Hyundai Ioniq 5.

A bateria continua a ter 77,4 kWh, mas a autonomia é de 424 km, contra os 528 km da versão de 228 cv. A maior diferença está nos dois motores elétricos, um por eixo, que assim garantem tração às quatro rodas. O da frente tem 160 kW e o de trás 270 kW e um autoblocante eletrónico.

Há quatro modos de condução: Eco/Normal/Sport e o novo GT, com um botão separado. A potência máxima está sempre disponível, o que muda é a curva de binário, menos íngreme a baixos regimes nos modos Eco e Normal. A potência máxima é de 430 kW, ou seja, 585 cv, e o binário máximo é de 740 Nm. Com estes valores, o EV6 GT faz os 0-100 km/h em 3,5 segundos e atinge os 260 km/h, melhor que um Porsche Taycan GTS de 598 cv, que se fica pelos 250 km/h e faz os 0-100 km/h em 3,7 segundos. Ambos elétricos, claro.

Para lidar com esta performance, o EV6 recebeu suspensão mais firme, com amortecedores adaptáveis e melhores travões, além de pneus mais largos, que têm uma espuma interna para reduzir o ruído de rolamento. Por fora, as diferenças são de detalhe.

Este primeiro teste decorreu na Suécia, onde praticamente só encontrei piso em bom estado, por isso as diferenças entre os vários níveis de amortecimento não ficaram muito aparentes. O GT continua razoavelmente confortável e fácil de guiar apesar das suas generosas dimensões, que o colocam mais próximo de um cross over que do coupé de cinco portas que parece ser. Há patilhas no volante para regular a regeneração e um modo que faz isso de forma automática.

Guiado dentro dos limites legais e bem policiados da Suécia, o GT não é muito diferente dos outros EV6. Mas, num troço de estrada florestal deserta, passei ao modo Sport e acelerei a fundo, resultando num "disparo" realmente impressionante. É um nível de performance como a Kia nunca teve, por isso a marca reservou uma pista de testes para três atividades: um arranque em linha, uma zona de drift e um circuito que mais se assemelhava a um troço de ralis em asfalto. No arranque a fundo em modo Sport, voltei a sentir o poder dos 585 cv, com as quatro rodas motrizes a colocar toda a potência no chão. Depois, no drift, o exercício era colocar o GT em pião em torno de um cone apenas com a tração traseira ligada. A potência é tanta que é fácil fazer o pião completo com os pneus a derreterem numa nuvem de fumo branco. O terceiro exercício foi o que melhor mostrou as capacidades do EV6 GT. Fiz as primeiras voltas em modo Sport, para conhecer a pista, mas sentindo logo que o eixo traseiro é que manda. A inclinação lateral é pouca e depois é só acelerar e ver a traseira deslizar como num superdesportivo, mas de forma controlável. Para as voltas finais passei ao modo GT, que faz recuar a entrada do ESC. Além disso, o motor traseiro ganha ainda mais protagonismo e as derivas de traseira ganham amplitude. É preciso mais atenção e determinação para dominar o GT, mas, quando tudo corre bem, a satisfação também é bem maior.

Desde o seu lançamento em 2021 e da vitória no The Car of The Year 2022, o mais reputado prémio da indústria automóvel, do qual tenho a enorme honra de ser jurado, o EV6 já ultrapassou as 24.500 unidades entregues a compradores que chegam de marcas premium, mudando o cliente-tipo da marca. Este GT é mais um passo na redefinição da Kia, que há muito abandonou as suas origens humildes para se aproximar das marcas mais lucrativas. E o mercado está a reagir bem, pois o GT custa 80 mil euros em Portugal e já tem mais encomendas que unidades disponíveis para entrega.

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