Estamos em 2021, onde está Rosie, a robô doméstica dos Jetsons?

Todos os anos as empresas tecnológicas prometem o sonho de um robô capaz de nos tirar de cima as aborrecidas tarefas do quotidiano doméstico, mas ainda estamos longe do sonhado pela ficção. A Samsung mostrou três robôs, há um de cozinha para milionários, mas o resto é para fazer à mão.

A feira de tecnologia CES deste 2021 não foi exceção. Mais uma vez, foi à gigante Samsung que coube o papel de "cumprir a quota" de trazer ao evento robôs que, prometem, um dia poderemos ter em nossas casas para nos fazer praticamente todas as tarefas domésticas.

Um deles, é comum: um aspirador automático que também funciona como câmara de videovigilância. O JetBot 90 AI+ vem equipado com um sistema LIDAR (uma espécie de radar, mas que funciona por mio de laser), que lhe permite "ler" o espaço que o rodeia com mais eficácia e, supostamente, evitar bater em superfícies frágeis como vasos, por exemplo. Mas não deixa de ser um já velho e conhecido aspirador robô. E, das novidades do género, o único que será comercializado.

Os outros dois mostrados na feira -- que decorreu este mês de forma virtual, por causa da covid -- são apenas protótipos.

Um, o Bot Handy, já se aproxima um pouco mais do sonho do robô doméstico sonhado pela dupla Hanna-Barbera na década de 1960 para o que seria o futuro, na série Os Jetsons. Não é exatamente uma Rosie, a empregada doméstica robótica que fazia tudo em casa, deixando o tempo totalmente livre para Jane Jetson fazer, basicamente, nada, mas aproxima-se um pouco. Pelo menos a julgar pelos vídeos divulgados pela Samsung.

Afinal, o Bot Handy -- com uma base que faz lembrar um aspirador e um único braço articulado -- é capaz de servir um copo de vinho, carregar a máquina de lavar louça e, claro, responder a ordens básicas do tipo "traz-me ali o tablet".

O outro pequeno robô que marcou presença pela Samsung foi o Bot Care, que já tinha sido mostrado em 2019. Trata-se de um "assistente pessoal" que pretende ser mais um companheiro doméstico digital com um 'display' superior que comunica com o dono. O objetivo é lembrar compromissos ou ligar automaticamente o seu "mestre e senhor" a reuniões de Zoom, por exemplo, indo ao seu encontro onde quer que este se esteja na casa. Mais uma vez, não há qualquer previsão anunciada para o terminus do seu desenvolvimento.

Há um robô de cozinha que faz tudo... por um grande preço

Pronto a entrar na casa de quem tenha uma carteira recheada esta o robô de cozinha da Moley Robotics. Apesar de se tratar de uma máquina dedicada -- e fixa, não se desloca -- promete ser capaz de executar as principais tarefas desta divisão da casa, desde a culinária à lavagem da louça.

Como? Basicamente, o robô consiste em dois braços articulados de precisão industrial, presos sobre os balcões de uma cozinha costumizada. O software incorporado inclui 5000 receitas, o sistema de inteligência artificial promete reconhecer ingredientes, panelas, tachos, utensílios e demais "ferramentas" necessárias para a cozinha.

O seu criador, o matemático e cientista informático russo Mark Oleynik, promete comida de qualidade de restaurante ao toque de um botão na app.

Claro que toda esta sofisticação tem um preço. De momento, o modelo base ronda os 250 mil euros. É caro ou o leitor é que está a ganhar pouco?

Ao comum dos mortais resta...?

Pode argumentar-se que o êxito das máquinas como a Bimby e aparelhos semelhantes revela bem que existe um apetite da parte dos consumidores por máquinas que facilitem a vida doméstica, em particular na cozinha. Mas uma rápida inspeção do mercado revela igualmente que a oferta não tem praticamente variado nos últimos anos.

Duas tecnologias surgiram mais ou menos recentemente que serão de realçar, não tanto por serem facilitadoras de tarefas domésticas, mas mais por utilizarem soluções tecnológicas para cozinhar de formas, alegadamente, mais saudáveis.

Uma é a solução "sous-vide", que tem na Anova Culinary o best-seller do género. Basicamente: colocam-se todos os ingredientes a cozinhar juntos num saco de plástico próprio, sela-se o mesmo, retirando o ar, e atira-se para dentro de uma panela com água. Coloca-se a varinha de "sous-vide" lá dentro, escolhe-se o programa apropriado na app e vai-se à nossa vida. Quando estiver pronto, o telemóvel avisa.

Cada varinha da Anova custa entre 200 e 400 euros e quem já provou a comida garante que o resultado até surpreende.

A segunda tecnologia digna de nota são as máquinas Air Fryer, que utilizam, em aparelhos de reduzidas dimensões, sistemas de convecção de ar que fazem circular pequenas quantidades de óleo para fritar (tornando assim os fritos mais saudáveis). As mesmas máquinas podem ainda grelhar e cozer (basta pôr água em vez de óleo). Os preços variam muito.

Nada, absolutamente nada, que se compare à Rosie dos Jetsons. Mas também, onde é que estão os ambicionados carros voadores, as escolas flutuantes e as passadeiras rolantes nos passeios? A vida nos desenhos animados é muito mais engraçada.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG