Desconfinado? Veja quem lhe está a tocar à campainha lá de casa

Mais do que meros videoporteiros, as campainhas inteligentes permitem monitorizar a porta de casa a partir de qualquer local do planeta por um preço relativamente acessível. E a cada geração trazem mais funcionalidades.

Falemos de campainhas de casa com câmara incorporada. Com o desconfinamento à porta - desculpem a piada fácil -, a segurança da habitação volta a estar muito presente, em especial para quem agora se ausenta depois de ter passado muitas semanas em teletrabalho.

Tal como noutras áreas, também aqui as tecnologias digitais permitem hoje, de uma forma relativamente económica, instalar sistemas que antes eram reservadas a milionários.

Assim, se após estes dias todos enfiado(a) em casa acha que vai sentir alguma ansiedade por não saber quem lhe passa -- ou toca -- à porta enquanto está no trabalho, lembre-se de que lhe basta uma ligação à internet, um telemóvel e um dos modelos abaixo mencionados (mais algum jeito para bricolage -- ou um amigo que o tenha) para que possa monitorizar tudo o que se passa onde quer que esteja no mundo.

A conversar com a Alexa

Provavelmente a proposta mais conhecida deste género -- e facilmente disponível para cá -- é a linha Ring, da Amazon.

Compatível com a assistente digital Alexa, esta linha conta atualmente com seis dispositivos -- dois estão ainda em fase de pré-lançamento. Nitidamente, a Amazon tentou cobrir o maior número possível de cenários de utilizadores/clientes. Existem modelos que precisam de ser ligados à corrente, outros que funcionam com pilhas (facilita a instalação) e alguns que permitem optar por uma solução ou outra.

Comum a todas as campainhas é a transmissão em direto pela internet de vídeo em alta definição, comunicação bidirecional (permite falar do seu telemóvel para a sua porta, onde quer que esteja) e deteção automática de movimento.

Em amazon.es (a loja que atualmente melhor serve Portugal), uma simples pesquisa Ring Video Doorbell devolve-lhe os resultados que precisa.

Um modelo "barato" e outro nem por isso

Com comercialização prevista para o fim deste mês e para maio, respetivamente, a família Ring terá dois novos membros: um por cerca de 250 euros e outro por "apenas" 60 euros.

Para ver as características completas de cada um, entre em qualquer produto Ring com o site da Amazon em castelhano (se tiver o idioma em português não funciona) e desça até ao quadro comparativo que acompanha todos os modelos.

O novo topo de gama, o Ring Video Doorbell Pro 2, tem como características principais permitir ver a pessoa à porta em corpo inteiro (150º de ângulo vertical), deteção de movimento em 3D (que é mais precisa, permitindo programar a partir de que distância se quer receber alertas) e visão noturna a cores.

O dispositivo precisa de ser ligado à corrente, podendo utilizar-se um adaptador que a Amazon vende (em kit).

Também o novo modelo de entrada (o mais barato, portanto), o Ring Video Doorbell Wired exigirá ligação permanente à corrente -- para soluções com bateria continuamos limitados aos modelos antigos.

Como o preço fará adivinhar, as funcionalidades deste modelo são básicas: transmissão de vídeo HD 1080p com comunicação bidirecional e notificações em tempo real, bem como integração com a Alexa.

Tudo -- tal como acontece com todas as Ring -- controlado por uma app própria, disponível para Android e iOS.

Há no entanto mais um custo a ter em conta, se quiser tirar todo o partido destes aparelhos: para guardar na "nuvem" todas as gravações vídeo e partilhar imagens facilmente (algo que poderá ser essencial, por exemplo, caso a sua casa seja assaltada), é necessário ter um plano de subscrição. Estes têm um custo a partir de 3 euros por mês.

A opção Google.... que não quer vir para cá

O maior concorrente do Ring atualmente será o Nest Hello, da Google. Uma discreta e elegante campainha que oferece integração com a assistente digital do maior motor de busca do mundo -- que, ao contrário da Alexa, até fala português.

Além disso, por um preço que atualmente ronda os 360 euros, permite ver quem nos "visita" a corpo inteiro (160º de ângulo vertical), além de oferecer os quase obrigatórios detetores de movimentos e a visão noturna. Também permite fazer o reconhecimento facial de quem é apanhado pela câmara, desde que o utilizador tenha paciência para ensinar o sistema -- identificar as pessoas ao longo do tempo.

Há no entanto um problema. Uma visita ao site oficial dos dispositivos Google, à data de publicação deste artigo, diz-nos que o Nest Hello está oficialmente disponível em: "Alemanha, Áustria, Bélgica, Canadá, Dinamarca, Espanha, Estados Unidos (exceto Porto Rico), Finlândia, França, Irlanda, Itália, Países Baixos, Reino Unido, Suécia e Suíça". Reparou na ausência? Pois...

O que não quer dizer que não possa saltar para este ecossistema por sua conta e risco -- em especial se já tem em casa o Google Home, o ponto de acesso ao Google Assistant que, como referido, fala português. A Worten ou a Fnac, nas suas lojas virtuais, listam vendedores que comercializam cá o aparelho.

Neste aspeto (como noutros, no fundo) Portugal permanece fora do panorama das grandes empresas de tecnologia. Apesar de a Google ter, de facto, feito um esforço para pôr a sua assistente digital a falar português europeu -- e nisso bate a Amazon em toda a linha --, continua oficialmente a vender para cá, através da sua loja oficial, apenas os dispositivos de streaming de vídeo e áudio Chromecast.

Tal como acontecia há décadas, quando os melómanos ou audiófilos procuravam listas fotocopiadas de discos importados para fazer encomendas em lojas especializadas de LP bem impressos ou que nem havia cá, quem se interessa mesmo por estas coisas encontra sempre uma solução. Mas ao mesmo tempo não deixa de ser sintomático de que algo está errado quando se olha para uma lista de países como a transcrita acima e nós permanecemos, consecutivamente, ausentes.

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