Dacia Manifesto: uma redefinição do que é (manifestamente) essencial

Ousado. Radical. Despojado do supérfluo. E 100% elétrico. O Manifesto é muito mais do que "apenas" o novo concept-car da Dacia. É também a manifestação descomplexada da sua nova identidade.

"Por vezes, é preciso coragem para fugir ao que o mercado tem feito". As palavras são de Xavier Martinet, vice-presidente de Marketing e Operações da Dacia e encaixam, na perfeição, no concept-car revelado, em Paris, aos jornalistas: Manifesto é o seu nome de guerra. E não há dúvida de que parece um modelo preparado para qualquer cenário de conflito ou terreno hostil, revelando a audácia com que a marca enfrenta o seu futuro.

Sem complexos, este protótipo 100% elétrico é ousado, robusto, aventureiro e despojado de tudo o que é supérfluo. Ou não tenha sido desenvolvido sob o lema da sustentabilidade e pretenda redefinir a ideia de "essencial". Mas, salientou o responsável, "essencial não tem de ser algo aborrecido". Apesar de manter inscrito no seu ADN os valores da Dacia, é a mais fiel manifestação da sua nova identidade - não apenas visual, contando já com o novo logótipo, mas também mental. Trata-se de uma "plataforma de ensaios para os próximos modelos a desenvolver", garantiram os responsáveis da marca.

Segundo Xavier Martinet, o objetivo é elevar para outro patamar o conceito de value for money. "Tem de ser o carro certo pelo preço certo. Hoje, os clientes esperam que as marcas tenham valores dos quais se sintam próximos", disse. Sem equívocos, no entanto. "Mas também queremos que um Dacia continue a ser um Dacia", sublinhou. E existem números a justificar este desejo: 60% dos novos clientes, nomeadamente, do Duster, voltam a comprá-lo". Esse, de resto, é o caminho a fazer. "Trazer novos clientes, mas continuar a tratar bem os que temos atualmente".

Preparado para tudo

Mas vamos aos detalhes. O Concept Manifesto assume-se como o parceiro ideal para tarefas mais específicas, seja a proteção de ambientes naturais ou prestação de assistência a caminhantes, graças à sua robustez.

A Dacia optou por desenvolver um modelo sem filtros e com maior ligação ao mundo exterior, caraterística que explica a ausência de portas, janelas ou para-brisas, enquanto a funcionalidade económica do conceito 'Bring-Your-Own-Device' torna possível integrar um smartphone no painel de instrumentos e no computador de bordo. Este sistema já está disponível em vários modelos da marca e evoluirá ainda mais no futuro.

Este protótipo estreia outro avanço que será incorporado em modelos futuros, o 'YouClip', um sistema muito simples para assegurar uma variedade de acessórios práticos e modulares. Adicionalmente, num conceito mais arrojado, utiliza apenas um farol, que pode até ser destacado para utilização como lanterna portátil.

"Na Dacia, gostamos de manter as coisas reais. À medida que fomos desenvolvendo e explorando novas ideias, sentimos que precisávamos de as empurrar para além das simulações 3D e ver como elas são na vida real", referiu David Durand, Diretor de Design da Dacia. "Além de ser um objeto de design, o Concept Manifesto encapsula a nossa visão e combina uma vasta gama de inovações. Algumas envolvem implementação extrema, mas ainda são acessíveis para os clientes. Iremos utilizar alguns destes elementos em futuros modelos da Dacia", disse.

Espírito guerreiro

Do ponto de vista técnico, incorpora conceitos destemidos: tração às quatro rodas, grande altura ao solo, jantes de enormes dimensões e uma carroçaria robustecida para enfrentar os pisos mais agressivos. Uma bateria dedicada e amovível fornece energia através de uma tomada doméstica, transformando o Manifesto numa fonte de energia para atividades ao ar livre que o exijam.

Detalhe curioso: no caso de sujar o interior, o utilizador pode limpar as superfícies com recurso a um jato de água. Já as coberturas removíveis dos bancos podem ser transformadas em úteis sacos-cama para dormidas ao ar livre. Por sua vez, as barras de tejadilho podem transportar todo o tipo de cargas, dado que as de suporte podem mudar para uma variedade de configurações. Uma ideia que já vigora nos modelos de produção na forma das barras de tejadilho modulares do Sandero Stepway e do Jogger e que chegarão em breve ao Duster.

Para ser mais leve e mais eficiente, a Dacia tornou o Manifesto minimalista, com uma grande parte da carroçaria construída com plástico reciclado, materiais feitos a partir de polímeros usados processados, com um acabamento tipo "salpicado", denominado Starkle.

O interior também está equipado com materiais naturais, como a cortiça que cobre o tablier. Já os elementos cromados decorativos estão ausentes, seguindo uma tendência que está já em voga na marca do Grupo Renault.

Uma outra inovação está nos pneus airless, não necessitando de ar para encher e com resistência aos furos. Segundo a marca, estes pneus de elevada resistência duram tanto tempo como o próprio automóvel.

Por norma, quando chega à produção, um concept-car deixa cair grande parte do seu radicalismo. Surge mais "domesticado" para consumo generalizado. Mas Xavier Martinet garantiu que, quando surgir, em 2024, o Manifesto será "muito próximo" da versão agora apresentada. "Não dizemos uma coisa e fazemos outra", disse. "Mas os bancos não darão para se transformar em sacos-cama e... terá portas", admitiu, com um sorriso.

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