Exclusivo Anima Mea #1. Branco de luxo da Bairrada

Inauguram com chave de ouro as festas dos seus 85 anos as Caves do Solar de São Domingos, com uma série de vinhos novinha em folha. O repto feito à enóloga-chefe Susana Pinho de criar vinhos inteiramente seus não se fez esperar e aqui está este 100% Cercial notável, bem bairradino e feminino. Chama-se Anima Mea e é um branco para durar.

O discurso masculino-feminino corre no fabuloso e fecundo mundo do vinho desde os seus primórdios. Os vinhos mais tânicos, copiosos e estruturados são tradicionalmente ditos masculinos, enquanto os mais aromáticos e ligeiros levam usualmente a marca feminina. Em termos mais prosaicos, as castas menos extrativas como Pinot Noir e que estão na base da Borgonha que o mundo inteiro aclama e proclama pelos seus vinhos subtis e abertos na cor seriam femininos, enquanto aos mais encorpados e de cor mais carregada calharia o adjetivo de masculino; vinhos para homens a sério.

Se quiséssemos ir à matriz ancestral desta bifurcação de género, teríamos de recuar aos tempos do império romano, quando não havia vinho tinto sequer. Este, de facto surge mais tarde, com as práticas enológicas a permitir e aconselhar macerações prolongadas, ou seja mais extração de cor das películas das uvas pisadas, a prática corrente era o chamado vinho de bica aberta, e as polpas eram transparentes ou quase, o contacto pelicular era reduzido ao mínimo. Falham por isso logo na base histórica os filmes épicos que nos falam desses tempos, em que nas festas o vinho corria a rodos, retinto. Por outro lado, ao longo do último século, no Velho Mundo - leia-se Europa - o mercado teve de responder à procura por vinhos encorpados e alcoólicos, de certa forma a elegância deixou de ser o atributo mais valorizado.

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